
Jamelão, um dos maiores intérpretes do samba, sobe ao palco do Teatrão
Repertório do show inclui
os grandes
clássicos da Música Popular Brasileira
Considerado uma unanimidade quando o assunto é samba, o interprete Jamelão, o moleque Saruê, sobe ao palco do Teatro Plácido de Castro, no próximo dia 26, acompanhado por músicos acreanos, tendo à frente a produção e direção do músico Antonio Carlos do Nascimento. No repertório os maiores clássicos da MPB, composições de Lupicinio Rodrigues, Dorival Caymmi, Norival Reis e Hélio Nascimento entre outros.
Na história da Cultura e do Samba Brasileiro, José Bispo, mais conhecido como Jamelão, tem uma posição muito especial. Vários aspectos deste artista carioca de múltiplos talentos o fazem uma personalidade única na Música Brasileira.
Como cantor, o timbre de sua voz, e a maneira com que interpreta tanto um Samba, Samba de Roda ou Jongo, sempre fiel às raizes Africanas o colocam na posição de um dos maiores interpretes de nossa Música, sendo inclusive a voz que impulsiona os desfiles da Estação Primeira de Mangueira nos últimos 40 anos.
Como compositor, assina alguns dos mais populares sambas de todos os tempos, como Quem Samba Fica, em parceria com o grande compositor Bahiano Tião Motorista, ou Eu agora sou feliz, com Mestre Gato ou ainda Cântico da Natureza, com os pesos pesados da Mangueira Nelson Matos (Nelson Sargento) e Alfredo Lourenço (Alfredo Português).
Mas suas glórias não param por aí. Jamelão, gravou um album histórico com a Orquestra Tabajara de Severino Araújo, (um mestre e inovador de orquestração) que se tornou a Bíblia da interpretação do Samba Canção.
Este álbum transformou-o no maior intérprete de Samba Canção de todos os tempos e popularizou uma dezena de composições de Lupicínio Rodrigues.
Atualmente, aos 86 anos Jamelão está sempre em atividade fazendo, apresentações no Brasil e no exterior, e seguindo sua missão de intérprete dos Sambas Enredo da Mangueira nos desfiles do Rio de Janeiro.
As gravações de Jamelão são essenciais para quem como ele ama a Cultura Afro Brasileira, especialmente o Samba e suas derivações.
Jamelão é assim: direto, sem rodeios
Certa vez, ao ser perguntado, por Antonio Chrysostomo, em entrevista para a Folha de S.Paulo, o que o levava a ter o semblante sempre carrancudo e nunca rir, respondeu: “Rir de quê?”.
Essa gênio forte, que para muitos é fruto apenas de um mau humor crônico, talvez venha da vida dura de garoto pobre nos subúrbios do Rio, ou dos problemas enfrentados por Jamelão em sua carreira, tais como o preconceito racial, pois o próprio cantor já disse que “o artista negro sempre encontra uma barra mais pesada.
No meio musical todo mundo quer o crioulo, mas para fazer figuração, para tocar pandeiro e agogô e as mulatas para sambar.
Para ser estrela não serve, tem de ser branco e de preferência boa pinta. Não grito contra isso porque sei que as pessoas que hoje me desprezam amanhã vão me amar. Mas já fui deixado de lado em função de outros caras só porque eles eram brancos”.
Porém uma coisa é certa: Jamelão conquistou por força própria todo o direito de ter o humor que bem quiser. Sua arte lhe deu liberdade suficiente para dormir no Palácio do Planalto, de ter as opiniões que bem enteder. É perito do samba. Sabe o que diz, e diz sempre assim, direto. Hoje, José Bispo não é mais o moleque Saruê. Hoje ele é o Jamelão, a voz da verde e rosa na avenida e fora dela. Presidente de honra da Estação Primeira de Mangueira e porta-voz da sabedoria dos mestres do samba.