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Rio Branco - Acre, sexta-feira, 25 de abril de 2003

Viva aos fogões a lenha!

Palmas para a senhora Terezinha Gomes Vieira e mais 50 donas de casa residentes no bairro João Eduardo, em Rio Branco, que tomaram a decisão de trocar o gás de cozinha pelo fogareiro a carvão, poupando 30 por cento nas despesas mensais com a preparação de alimentos. Na matéria que o Página 20 publicou ontem sobre o assunto,o repórter Josafá Batista chamou a decisão das donas de casa de "boicote" ao gás de cozinha, mas na verdade elas estão é dando uma lição de economia sustentável.

Segundo a reportagem, a idéia está se alastrando pelos bairros e a própria dona Terezinha já fatura uns trocados a mais fabricando os fogareiros com o aproveitamento das latas de querosene cortadas ao meio com uma abertura do lado e enchimento de barro. Isso era tradição nas cidades acreanas antes de surgir o gás caro e perigoso. Melhor ainda é o fogão a lenha, que passa o dia todo aceso, mantido com gravetos e troncos de paus abundantes por aqui.

Os moradores mais antigos, como dona Terezinha, sabem muito bem que os alimentos ficam mais saborosos quando cozidos em fogão a carvão ou lenha. Quando o gás apareceu, teve gente que resistiu à tal modernidade porque o café, o arroz e o feijão mudaram de gosto. Essa mudança de sabor já havia ocorrido quando as panelas de barro ou de ferro foram substituídas pelas de alumínio e as de pressão.

Não é brinquedo não. Os fogareiros a carvão e os fogões a lenha podem ser uma boa alternativa para as donas de casa do Acre. E podem estimular o surgimento de pequenas indústrias desses instrumentos de cozinha. Se as donas de casa quiserem, irão muito mais longe optando por móveis rústicos de madeira, toalhas de mesa feitas por nossas costureiras, cuias de coité e tantas coisas mais que a mãe floresta pode oferecer com imensa vantagem para o orçamento doméstico.

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