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Rio Branco - Acre, sexta-feira, 25 de abril de 2003

Carlinhos Santiago

“A maioria dos cargos na prefeitura de Rio Branco servia como cabide de emprego”

Leonildo Rosas

Eleito presidente regional do Partido Progressista (PP), sucedâneo do Partido Progressista Brasileiro (PPB), o vereador Carlinhos Santiago tem como prioridade reestruturar a sigla para as eleições municipais de 2004.
Ele vê como a grande oportunidade para iniciar o processo de reestruturação o encontro nacional que o partido fará no Acre, no próximo dia 29 de maio. No encontro, além de estrelas nacionais como Delfim Neto, Francisco Dornelles, Celso Russomano e Paulo Maluf, estarão presentes representantes de todos os municípios acreanos. “Será uma grande festa”, disse.

Como líder do prefeito de Rio Branco na Câmara dos Vereadores, Carlinhos Santiago ajudou a aprovar a reforma administrativa do município na quarta-feira. Em entrevista ao Página 20, ele fala sobre os desafios que terá na presidência da legenda e das brigas internas e critica até secretário municipal.

Qual o objetivo da mudança de nome do PPB para PP?

Com a chegada do deputado federal Pedro Correia (PE) à presidência nacional do partido, pensou-se em mudar o nome para tentar dar uma oxigenada e para não confundir com outras siglas como o PTB. Além disso, o PPB era visto como o partido do ex-governador de São Paulo Paulo Maluf. O PP não é do Maluf. É da sociedade.

Comenta-se na imprensa que o prefeito de Cruzeiro do Sul, César Messias, está saindo do PP. O senhor sabe alguma coisa sobre o assunto?

Estivemos com o prefeito César Messias e ele nos garantiu que permanecerá no PP. Foram feitas algumas conversas dele com outros partidos, mas a posição é que ele continua conosco.

No próximo mês, o PP vai a um encontro nacional. Esse encontro, pela primeira vez na história, será no Acre. Por que o Acre foi escolhido?

Porque foi uma reivindicação das lideranças acreanas. Nossa proposta foi acatada por unanimidade. Também foram importantes as posições dos deputados federais Ronivon Santiago e Narciso Mendes.

Qual a sua posição sobre a briga interna entre os filiados João Tota e Narciso Mendes pela vaga de deputado federal?

O João Tota, na condição de presidente regional do PPB à época, jamais poderia ter ingressado com uma ação na Justiça contra um colega de partido. Isso repercutiu mal em nível nacional e estadual. Na condição de presidente regional do PP, não posso comungar com a posição de Tota. Vou torcer e ver as condições para manter o mandato de Narciso Mendes.

Caso João Tota assuma no lugar de Narciso Mendes, como ficará sua situação dentro do partido?

Ele será respeitado normalmente como deputado do partido e terá todo o apoio das lideranças do PP. Agora, está claro que não comungamos com a sua atitude feia e ridícula.

Como o senhor pretende reestruturar o seu partido no Acre?

A partir do encontro nacional que será realizado no Acre em maio, pretendemos reunir as lideranças dos 22 municí-pios acreanos para construir uma agenda para, acompanhados do deputado estadual José Bestene, percorrermos todo o interior mostrando os objetivos do partido nas eleições municipais e apresentar nossas diretrizes. Esperamos voltar a ser um partido forte.

Esta semana, o senhor ajudou a aprovar a reforma administrativa da prefeitura. Em que melhora para a população essa reforma?

Os cargos comissionados na prefeitura de Rio Branco serviam como cabide de emprego. Dos 372 cargos que havia antes da reforma, a metade praticamente não produzia, eram pessoas que não tinham qualificação para a função. Com a coragem do prefeito Isnard Leite e a boa vontade de seus técnicos, foi elaborado um plano que reduziu pela metade o número de funções comissionadas.

Mas não existe o risco de o cabide de emprego continuar?

Não. Os cargos serão ocupados por pessoas competentes. Posso dar exemplo em termos de valores. Era inconcebível que um chefe do setor de pessoal da prefeitura recebesse 400 reais líquidos. A reforma diminuiu os cargos e aumentou o valor dos salários. Com um salário mas digno, a produção para a população será melhor.

Falta pouco mais de um ano e meio para se encerrar o mandato do prefeito Isnard Leite. O senhor acha que agora ele deslancha?

Sim, acredito. A administração do prefeito Isnard Leite tem tudo para deslanchar. Basta que ele cumpra o que foi estabelecido com a comunidade por meio do Orçamento Participativo. A maioria dos bairros foi contemplada de alguma forma, seja com recuperação de ruas, recapeamento asfáltico, abertura de esgoto e saneamento. Se os trabalhos forem executados, a população vai aplaudir.

Deslanchando, o prefeito teria cacife para concorrer à reeleição ou indicar seu sucessor?

Qualquer administrador que seja aprovado pela população tem cacife para concorrer a outro mandato. Exemplo disso é o governador Jorge Viana. A vitória dele para o segundo mandato tem que ser vista como uma lição. Temos que ver nossos desfeitos para corrigi-los. Acredito que temos, além do prefeito, outras lideranças capazes de disputar a prefeitura de Rio Branco em 2004.

Um dos grandes problemas em Rio Branco é de abastecimento de água. Os ex-prefeitos Mauri Sérgio e Flaviano Melo, ambos do PMDB, foram eleitos com essa bandeira. O que falta para o produtor chegar às torneiras dos rio-branquenses?

Faltou gerenciamento. Não atacaram nos pontos certos. Os recursos chegados ao Saerb, até que me provem ao contrário, foram bem aplicados. Agora, é inegável que as pessoas que administraram a autarquia pecaram no gerenciamento. Acho que nunca se chegará a 100%, mas o abastecimento tem que melhorar muito. E a melhora só virá se os administradores chegarem mais próximos da comunidade.

O senhor afirma que faltou gerenciamento, mas o ex-presidente do Saerb Adalberto Ferreira é o homem encarregado de planejar as ações da prefeitura. Como o senhor acha que o prefeito pode melhorar seu desempenho?

As nomeações de secretários são de competência do prefeito. Se ele foi nomeado para o Saerb e, ao meu ver, não fez o trabalho de forma correta - tanto que o prefeito o tirou de lá -, cabe ao prefeito responder por que tomou a atitude de nomeá-lo secretário de Planejamento. Na minha opinião, ele trocou seis por meia dúzia. Tenho o Adalberto Ferreira como uma pessoa competente, mas em nível de Saerb ele falhou.

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