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Rio Branco - Acre, sexta-feira, 25 de abril de 2003

O grupo Tri-Unfo dá a receita
do humor e do escracho

Três jovens atrizes utilizam o cômico e o deboche para fazer graça do lado cruel da vida, principalmente do universo que envolve a relação homem e mulher

Rose Farias

Pegando carona no grupo carioca o Grelo Falante, o Tri-Unfo, formado pelas jovens atrizes Mariana (20), Nairá (21) e Isis (20), escolheu o cômico para mandar o recado e invadir a vida com humor e muita irreverência. Na verdade, segundo elas, fazendo graça da vida, principalmente do assunto que dizem dominar: os homens.

O grupo, criado há três meses, surgiu de uma brincadeira, quando resolveram criar um texto que tratava da alma feminina utilizando um humor escrachado. O Tri-Unfo uniu música, dança e texto, como num pocket show, e resolveu reverenciar as mulheres, no Dia Internacional da Mulher, com uma apresentação performática no Bar da Malu. O espetáculo, denominado In-Útero, primou pelo cenário. Para adentrar o espaço, as pessoas teriam que passar por uma espécie de túnel em forma de vagina. A ordem era como se estivessem adentrando um útero. Tudo criado pelo artista plástico Danilo de S’Acre.

“Criei o texto com base na criação da mulher. Ela entrava enrolada numa cobra. A mulher dançava em forma de bicho para os deuses. Então, colocamos uma dança dentro dessa essência. Depois as coisas foram tomando uma evolução, no início algo rondava a criação, para depois de forma escrachada se transformar em caos, na discriminação. Tudo através da música. Uma delas foi aquela do Mano Chau: “Homem. Tem muito homem. Todo homem que se preza tem que impor respeito, só de ouvir falar e escutar...”, conta Mariana.

Uma visão simples do mundo

Para as jovens atrizes, o trabalho mesmo em tom de deboche, traz como pano de fundo um ar de denúncia, principalmente no que se refere a discriminação contra a mulher.

“Claro que com muito escracho, sem ser panfletário, um humor moderno, debochando dos nossos queridos homens, e também das mulheres”, diz Mariana.

Responsável pela criação textual do grupo, Mariana adianta que a idéia do de formar o grupo se deu com o espetáculo A Revolta das Galinhas, apresentado no sábado de aleluia, do ano passado, e novamente este ano, trazendo uma nova roupagem, bem mais acabada. Mas, que somente ganhou corpo com o espetáculo In-Útero.

Como tão jovens atrizes se mostram engajadas com temáticas que parecem fugir aos olhos da maioria? Para elas a resposta vem na ponta da língua.

“Nós somos de uma família que sempre lidou com a arte. Nosso pai é teatrologo. Sempre tivemos essa visão no que se refere a temas com a discriminação. E a questão de se criar na hora, no improviso, é uma visão simples do mundo que nos foi passada pelo nosso pai e tios, que sempre estiveram engajados no movimento cultural acreano”, adianta Nairá.

A mulher falando do homem

O Tri-Unfo buscou inspiração no Grelo Falante, segundo Nairá, por uma identificação com o lado cômico da mulher falando do homem.

“Como retratar essa relação? Nada de pesado, pois a vida já é um peso pesado. Optamos pelo engraçado e escrachado, para fazer as pessoas rirem. Unimos música, dança, teatro criando um ambiente que interage com a platéia. Essa combinação é espetacular”, diz Nairá acrescentando que toda a concepção do pocket show, desde do figurino, direção, texto é criado pelo próprio grupo.

Pretensões? Elas dizem terem várias. Mas, a primeira etapa a ser cumprida, segundo Nairá é procurar divulgar o grupo, articular o estudo de novos textos, aprimorar o projeto, para a montagem de uma grande espetáculo, previsto para o mês de junho, no Teatro Plácido de Castro.

“Achamos que é uma ousadia que tem que ser experimentada apresentar no Teatrão. Mas, nossa pretensão é de um mega espetáculo unindo música, teatro, dança e outros elementos artísticos, claro que com humor e escracho”, diz.

Para elas, três jovens mulheres e bonitas fazendo humor é extremamente positivo, pois rir é o melhor remédio para interagir com o mundo, principalmente o universo que rege o homem e a mulher.

“Durante a guerra entre Estados Unidos e Iraque, o movimento era de indignação. Estávamos com vontade criar, fazer algo diferente. Conversamos e chegamos a conclusão de que a melhor forma era fazer as pessoas rirem. Vamos botar as pessoas para serem felizes, pelo menos por um segundo”, finalizou Mariana.

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