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Rio Branco - Acre, sábado, 26 de abril de 2003

Dona de casa investe na fabricação de fraldas descartáveis para vencer a crise

Microempresária quer firmar sua marca no mercado acreano para gerar emprego e renda

Tatiana Campos

A cada dia é mais comum encontrar mulheres em busca de espaço no mercado de trabalho. Elas arregaçam as mangas e vão à luta.

Preocupada em sustentar a casa e as duas crianças, a dona de casa Maria José da Silva 37 anos, resolveu poupar e investir as economias numa máquina de fabricação de fraldas e absorventes descartáveis. O negócio ainda está engatinhando, mas ela acredita que vencerá todas as dificuldades impostas pelas precariedades encontradas no Estado, como a falta de matéria-prima apontada pela pequena empresária. Mas ela diz que não desiste de montar a microempresa e contratar alguns funcionários.

O sonho de montar um negócio próprio foi embalado pelos comerciais de máquinas de fraldas e absorventes descartáveis divulgados na TV, que prometem alta lucratividade e poucos investimentos. Ela poupou durante um ano parte da mesada que o pai de sua filha manda dos Estados Unidos, onde foi tentar ganhar a vida para conseguir comprar o equipamento, que lhe permitiria trabalhar em casa e por conta própria.

Mas logo percebeu que as facilidades garantidas pelo comercial não eram tantas assim. Para manter uma boa produção era necessária a ajuda de auxiliares, do contrário o trabalho não renderia. Transporte de matérias-primas, embalagens e divulgação do produto também eram entraves enfrentados pela pequena empresária, mas ela não desistiu.

“Como todo o processo é manual, demora muito para fabricar uma fralda. São vá-rios passos e faço tudo sozinha porque ainda não tenho condições de pagar ninguém”, comenta Mara.

Propaganda boca-a-boca

Mara aprendeu na prática a confeccionar fraldas e absorventes auxiliada apenas por uma fita cassete que acompanha a máquina. Ela conta que procura tomar todos os cuidados necessários, pois se trata de um produto íntimo e que se não for elaborado com higiene pode causar alergia.

“Existem colônias anti-alérgicas que são usadas nos produtos para não irritar a pele do bebê e trabalho sempre com as mãos esterilizadas e com touca”, explica.

Por dia são produzidos em torno de cinco pacotes de fraldas, com dez unidades cada. Esse processo inclui desde a fabricação até a embalagem. “Uma pessoa dedicada pode chegar a produzir em torno de 12 pacotes”, diz Mara.

A vontade da microempresária é contratar pessoas que ajudem na produção e na entrega dos produtos para as vizinhas. Mara relata que a clientela está se formando agora e nesse momento o segredo do negócio é a propaganda boca-a-boca.

Marca registrada: clientela fiel

A matéria-prima vem de fora, as mantas, colônias, embalagens e a cola siliconada demoram em torno de 45 dias para chegar a Rio Branco e o pagamento da compra tem que ser à vista. Mara reclama que isso dificulta o trabalho e encarece o produto. A solução para ela é que o material deveria ser encontrado nos armarinho acreanos.

A microempresária comenta que para aumentar as vendas um passo importante é criar e registrar uma marca para seu produto. “As pessoas compram duas coisas: a fralda e a marca. Muitas querem a marca, eu só tenho a fralda”, comenta.

A marca dos produtos de Mara já foi criada, “Carinhos” é o nome que vai ser estampado nas embalagens de fraldas e absorventes. Mas, este aspecto segundo ela não é tão fácil. “Em Rio Branco não fazem os sacos plásticos coloridos e personalizados. Tenho que mandar fabricar em outro Estado e a fábrica mais barata que encontrei só produz acima de 150 quilos de matéria prima, cada quilo custa 12 reais”, Mara disse que é um investimento muito alto para quem está começando e tem uma produção pequena.

Teste de qualidade mostrou
que valia a pena investir logo

Assim que Mara recebeu a máquina sua primeira curiosidade foi comprovar a qualidade dos produtos. A micro-empresária fabricou uma fralda e derramou um copo de 200 ml com água sobre ela. “Uma criança não faz essa quantidade de xixi de uma só vez, e quando fizer de novo, cerca de 20 minutos depois, o gel já tem agido e absorvido todo o líquido”, ela ressalta.

É essa história que Mara conta aos clientes que reclamam a falta de uma marca famosa. “Tem a mesma qualidade, não causa alergia aos bebês e ainda custa bem mais barato. Fiz uma pesquisa de mercado há dois meses e constatei que e fralda mais barata, e sem marca conhecida, custava 4 reais, vendo a 3,5 reais”, conta enfatizando que as clientes que compraram seu produto voltaram para comprar mais.

Serviço: 225-2489

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