
Jorge Viana radicaliza o discurso de combate às desigualdades sociais
Governador se reúne com diferentes setores da sociedade do Juruá e diz que segundo mandato estará focado no combate à miséria
“Não me interessaria estar no Governo se tivesse que governar apenas para os ricos”, disse ontem, em Cruzeiro do Sul, o governador Jorge Viana ao se reunir, em dois dias seguidos, com públicos distintos da sociedade local. A primeira reunião se deu com representantes de entidades e organizações envolvidas com assistência social da região. O encontro seguinte, realizado ontem pela manhã no auditório da Escola “Braz de Aguiar”, foi com empresários, comerciantes e outros membros do chamado setor produtivo na região.
Mesmo em se tratando de públicos diferentes, Jorge Viana utilizou a mesma frase e as mesmas lembranças de uma conversa com o ex-deputado federal Plínio de Arruda Sampaio, um dos principais ideólogos do PT, para anunciar que seu Governo, no segundo mandato, vai buscar cada vez mais mecanismos para acabar com a desigualdade social no Estado. “Quando eu era prefeito, recebi a visita do Plínio de Arruda Sampaio. Ele me disse que a maior forma de inclusão social é estar no Governo. Nunca esqueci disso e, no Governo, todos os dias lembro que governar é estender a mão aos que não têm, aos que não podem e aos que não sabem”, disse.
Combater a miséria, porém, está longe de se praticar o assistencialismo. De acordo com o governador, a prática da doação do sacolão, do aviamento da receita e outros tipos de doações que mais humilham do que ajudam o cidadão, precisa ser banida do Acre. “Fazer política como se estivesse num balcão, atendendo problemas de forma individual, é uma coisa que não vou fazer. Essa prática assistencialista foi tentada por outros governadores e não deu certo. Todos nós sabemos no que resultou”, afirmou. “Combater a miséria é atuar fortemente no coletivo”.
Como exemplo concreto de que o assistencialismo não resolve os diversos problemas da população, o governador citou a doação de motores de popa para os ribeirinhos, principalmente na região do Juru’s. “Quantas centenas de motores não foram doados aos ribeirinhos nesta região? Mas se a gente voltar lá e perguntar às mesmas pessoas o que elas precisam, muita gente ainda vai de dizer de novo que tem o problema da falta de motores. Isso acontece porque, no passado, erroneamente, os governantes fizeram apenas a doação e não trataram de criar uma logística para resolver o problema do povo em definitivo”, afirmou.
O combate à desigualdade social no segundo mandato vai se dar, segundo Jorge Viana, em duas direções: com a implantação de programas que combata a exclusão, como o combate ao analfabetismo e a fome, e com investimentos nos setores produtivos, através de abertura de crédito, assistência técnica e apoio à produção. “Nós não estamos inventando nada do outro mundo. O que fizemos foi passar os últimos 90 dias detalhando tudo o que pretendemos fazer e agora estamos vindo aos municípios para conversar com a sociedade e firmar esse pacto para prosseguirmos com o projeto de reconstrução do Acre”, disse Viana.
Enquanto a estrada não sai, Governo vai comprar balsas para transportar mercadorias e forçar a redução no custo de vida
Com desdobramento das reuniões mantidas com os diversos segmentos da sociedade do Vale do Juruá, na primeira quinzena de maio, o vice-governador do estado, Arnóbio Marques, desembarca em Cruzeiro do sul acompanhado de todos os secretários de Estado envolvidos com os programas de inclusão social e do setor produtivo. “Aí já não será para fazer reuniões como essas. Será para convidar a sociedade a ajudar o governo a implementar os projetos que elaboramos”, disse o governador Jorge Viana.
Um dos programas mais polêmicos a ser implantado no Vale do Juruá, segundo anunciou o governador, será a possível aquisição de grandes balsas para o transporte de mercadorias de primeira necessidade. O governador se disse chocado com os preços e com o custo de vida no Juruá e decidiu que a situação não pode continuar como está. “Dizem que o custo de vida é alto por falta de estrada. Isso me intriga porque temos estudos que mostram que o transporte mais barato do mundo é o fluvial. Mas se isso não reflete no bolso do consumidor, mesmo não querendo concorrer com os empresários, enquanto a estrada não sai, nós vamos adquirir balsas e fazer o transporte de mercadorias para os comerciantes locais para impedir o monopólio de alguns espertos que enricaram explorando a população”, disse. “Eu não posso admitir que os 60 reais que o governo dá para ajudar uma família a botar suas crianças na escola, mal dêem para adquirir um botijão de gás. Isso vai ter que acabar”, afirmou.
Jorge Viana também anunciou que, com o final das chuvas, o governo retoma uma série de obras no Juruá: a pavimentação da BR-364 entre o rio Liberdade e o município de Tarauacá, o hospital regional de Cruzeiro do Sul, o aeroporto de Porto Walter, o porto no rio Juruá. Na área de projetos novos, o governador anunciou a construção de uma nova estação de passageiros no aeroporto internacional de Cruzeiro do Sul, além das obras da ponte sobre o rio Juruá, ligando o primeiro distrito da cidade ao bairro do Miritizal. “É um projeto ambicioso, nós sabemos. Mas nós não negamos que, na defesa do interesse do nosso povo, também somos ambiciosos”, afirmou.