
Edilson Cadaxo
Presidente da Eletroacre
diz que as portas
estarão abertas a todos os consumidores
Leonildo Rosas
Aos 47 anos, o engenheiro químico Edilson Cadaxo assumiu, na semana passada, a presidência da Eletroacre. Professor da Universidade Federal do Acre, com mestrado e doutorado em geoquímica, ele tem o desafio de tirar a empresa das últimas posições do ranking da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para colocá-la entre as primeiras.
No últimos quatro anos, Edilson Cadaxo exerceu o cargo de secretário de Infra-Estrutura no governo do Estado. No período, manteve ligação direta com o setor energético. Coordenou o programa Luz do Campo, que levou energia elétrica para mais de três mil famílias de produtores rurais.
Nascido em uma família tradicional da política acreana - é filho do ex-governador Edson Cadaxo e de Lili Cadaxo, ambos falecidos -, Edilson tentou concorrer a deputado federal em 2002. Não conseguiu porque foi vítima de uma trama feita dentro do seu partido, o PSDB.
Durante o processo eleitoral do ano passado, Edilson Cadaxo e outras lideranças do PSDB apoiaram a reeleição do governador Jorge Viana. É com o apoio do governador que ele chega para tentar mudar a concepção da Eletroacre nos próximos três anos.
“Quero manter uma relação próxima com a sociedade e os funcionários. Farei questão de atender todas as reivindicações pessoalmente”, afirmou em entrevista que concedeu ao jornalista Leonildo Rosas, do Página 20.
A Eletroacre é a campeã de reclamação no Procon. Como o senhor pensa reverter a situação?
Inicialmente, eu queria colocar um funcionário de Eletroacre dentro do Procon porque nós temos uma média de 18 reclamações por dia, mas somente uma é procedente. A presença do funcionário evitaria muitas coisas. Mas, como isso não foi possível, temos uma linha direta entre o Procon e a Eletroacre, que soluciona a maioria das reclamações na hora.
A companhia que o senhor preside também está entre as últimas colocadas no ranking da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel)...
Sim. É uma posição incômoda. Mas acredito que iremos mudar isso com a manutenção de rede. Há mais de 10 anos não era feita a manutenção de rede na empresa.
O senhor trabalhou durante quatro anos no governo do Estado praticamente com o projeto Luz no Campo. Esse projeto atingiu suas metas?
Fizemos o Luz no Campo no peito e na raça. Mas conseguimos fazer 860 quilômetros de rede, atendendo 3.200 propriedades rurais. Saímos de 0,7% de eletrificação rural e chegamos a 10,8%. É pouco. Mas, com este momento singular que vive o Estado do Acre, com o governador Jorge Viana reeleito, com a maioria da bancada federal o apoiando e com o presidente Lula, seu amigo pessoal, esperamos que nossos pleitos sejam bem atendidos porque o Luz no Campo precisa de recursos. E esses recursos nós iremos buscar em Brasília e na Eletrobras, no Rio de Janeiro.
Rio Branco, capital do Estado, os problemas de energia são muito graves. No interior, como está a situação?
A situação é ainda mais grave. A falta de manutenção da rede ocasiona constante interrupção de energia. O problema de geração de energia nós resolvemos enquanto eu era secretário de Infra-Estrutura no primeiro mandato do governador Jorge Viana. Colocamos máquinas novas em todo o interior. Hoje, cada cidade tem, no mínimo, 50% a mais da capacidade instalada.
Como a Eletroacre pretende trabalhar para combater os “gatos” e as ligações clandestinas?
Você tocou num ponto fundamental. Atualmente nós temos 30% de perda. De 7 a 9% são consideradas perdas técnicas. Entre 3 e 4% são rabichos clandestinos, que vamos equacionar. O grande problema mesmo são os “gatos”, o roubo de energia mesmo. Já detectamos que os “gatos” estão situados numa classe mais elevada. Um por cento, por exemplo, da perda significa 117 mil reais por mês, o que equivale a 1,5 milhão por ano. Se conseguíssemos chegar ao padrão da Companhia de Eletricidade do Paraná (Copel), que tem apenas 7% de perdas técnicas, ficaríamos entre os primeiros no ranking da Aneel. Esse problema das perdas será atacado urgentemente.
Em 2002, o senhor tentou concorrer a uma vaga de deputado federal, mas seu partido, o PSDB, não homologou a candidatura. O senhor continua com projeto político?
Eu nasci dentro de uma família política. Dizem que o cavalo passa encilhado três vezes. Quando fui presidente da Sanacre saí da companhia para ser candidato a deputado estadual. Um acordo político fez com que eu retirasse minha candidatura para apoiar o então deputado Francisco Thaumaturgo e meu pai acabou eleito vice-governador. Em 2002, me preparei para ser candidato a deputado federal, tinha chances reais de ser eleito, mas fatos lamentáveis dentro do meu partido impediram minha candidatura. Ainda tem a terceira vez...
Essa terceira vez seria já em 2004, para a prefeitura de Cruzeiro do Sul?
Todo cidadão sonha em um dia administrar a cidade onde nasceu. Eu não sou diferente. Mas a minha meta no momento é administrar bem a Eletroacre. O futuro a Deus pertence.
Qual a sua posição sobre o fornecimento de energia elétrica por meio do Linhão?
Nós nunca fomos contra o Linhão porque tanto ele pode trazer como levar energia. Ele foi construído porque tem uma geradora em Rondônia que receberia o gás de Urucum. Eu e o governador Jorge Viana trouxemos a Gás Petro ao Acre, que fez um estudo mostrando que o nosso Estado também tem condições de receber o gás de Urucum.
O senhor é um dos defensores de que o Acre também tem gás e até petróleo...
O meu grande sonho é a gente encontrar gás na região de Cruzeiro do Sul, fazer uma megausina de geração de energia e vir com o Linhão ligando todos os municípios e exportando energia.
A Eletroacre é uma empresa que dá lucro?
Eu diria que se conseguíssemos diminuir as perdas ela seria uma empresa viável. Eu vejo a energia como uma questão social. A empresa não existe para dar lucro, mas também não pode ter prejuízo. Se atingirmos o percentual de 15% de perda, ela vai ser mais viável e prestará melhor serviço ao consumidor.
O que os funcionários da Eletroacre podem esperar da nova diretoria?
Nós queremos os funcionários sempre motivados. Iremos fazer um bom Plano de Cargos, Carreiras e Salários em breve. Não vou dizer que atenderemos todas reivindicações, mas atenderemos aquilo que estiver ao alcance da empresa. As reivindicações deles podem ser feitas diretamente a mim.
O senhor atenderá o consumidor em seu gabinete?
Sobre isso há uma história interessante. O presidente da Câmara de Vereadores de Brasiléia me agradeceu por eu tê-lo recebido em meu gabinete. Ele revelou que tentara audiência com outro presidente e não foi recebido por ser apenas um vereador. Comigo não haverá discriminação. Vou atender do menor ao maior consumidor sem fazer qualquer distinção. As portas do meu gabinete ficarão abertas à sociedade.