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Rio Branco - Acre, domingo, 27 de abril de 2003
Perdem o emprego os que erram mais ou os que dependem das decisões superiores?

Poucos são os técnicos acreanos que têm no
currículo formação específica para a exercer a profissão

Raimnundo Fernandes

Sete clubes vão disputar o Campeonato de Futebol Profissional do Acre neste ano de 2003. E apenas em dois desses clubes a diretoria tem autonomia para demitir e contratar o treinador que bem desejar: Rio Branco e Juventus. Os demais clubes têm seus treinadores contratados através de favores, por um baixo custo financeiro, sendo que alguns deles nem ganham nada para arriscar-se numa das profissões mais traiçoeiras do mundo.

Junte-se a isso, ainda, o fato de que a maioria dos técnicos que trabalham hoje no futebol acreano não tem formação especifica para exercer a profissão ou, sequer, fizeram algum tipo de aperfeiçoamento. Talvez por isso saiam quase de graça para os clubes.

Os treinadores, em sua maioria, são apenas ex-jogadores, árbitros ou coisa parecida. Este ano até um presidente, Marquinhos Gomes, do Andirá, e um diretor de futebol, Raimundo Ferreira, do Vasco, decidiram treinar o seu próprio time. A vantagem destes dois é que eles correm menos riscos de ser demitidos.

Rio Branco

A preferência pelo gramado e
a falta de coletivos irritam os atletas


Por pouco não houve um episódio incomum no futebol profissional, na quinta-feira, envolvendo jogadores e dirigentes do Rio Branco Futebol Clube. Os profissionais querendo trabalhar e os dirigentes não permitindo, para evitar um maior desgaste no estádio José de Melo, principalmente no tocante à preservação do gramado.

Como há anos ele tem sido o responsável pela manutenção do gramado do José de Melo, Natalino Xavier, que hoje é vice- presidente do clube, não aceita que se jogue ali quando chove, ou quando o piso encontra-se encharcado. Ontem estava previsto um coletivo e novamente os jogadores foram impedidos de trabalhar. Como conseqüência o desabafo de alguns atletas foi inevitável.

Como o clima e a onda de dispensas ronda o plantel do Rio Branco, a reportagem não vai citar nomes de jogadores, para que não sejam penalizados, ou culpados de alguma coisa.

"Não podemos ser cobrados como temos sido, se o clube não deixa trabalhar ou se não nos dá condições de fazer coletivos. Cobrar é bom, mas temos que ter condições de mostrar nossa potencialidade", alertou um lateral.

"Desse jeito, como podemos mostrar entrosamento se não treinamos? Por que fazem tantas cobranças se a gente sequer pode treinar?", desabafou outro jogador.

"Olha, gente, infelizmente não temos condições de treinar. Foi que nos passou o nosso comandante e se somos empregados não devemos discutir, mas sim cumprir as ordens", informou aos jogadores o técnico Papelim.

Rio Branco

Flaviano Quintela Caruta, 36 anos, assume o lugar deixado por Ulisses Torres para o Estadual. Ele sabe que independente de ser campeão ou não seu emprego pode ser tomado, como foi no início deste ano. Alguns apostam que ele nem fica até o final da temporada e cai no final do primeiro turno.

Juventus

De volta ao futebol acreano após seis anos afastado, o Juventus apostou no ex-jogador Paulo Roberto, que tem na retaguarda nada menos que o ex-goleiro Illimani Lima Suarez e o ex-meia Pingo Zaire. Para completar, completa a comissão técnica o fundista Afonso Alves e o ex-lateral Joraí Pinheiro.

Vasco

Raimundo Ferreira (ex-ponteiro Flexa, do futebol), homem simples de toda uma vida dedicada ao futebol acreano, quer seja no amador ou profissional, decidiu este ano não atuar como dirigente e sim como treinador, logo no início da temporada. Ele mesmo contrata e demite quem desejar inclusive ele próprio, se achar que não está rendendo o esperado.

Independência

Aníbal Honorato, técnico de poucos títulos, ex-meio campista e zagueiro, com passagens por diversas equipes do futebol acreano que ainda não teve o sabor de ser campeão como treinador, mas é um persistente. Mantém uma longa caminhada luta ao lado de Leão Braga, presidente de honra do Timão. Vai para mais uma temporada e desta vez com uma equipe bastante humilde.

Adesg

Para muitos ele daria um grande diretor de futebol. Mas o ex-árbitro José Ribamar Pinheiro de Almeida, 52 anos, gosta mesmo é de treinar equipes. Trabalhou dois anos no Independência e um no Atlético Acreano e este ano está no Adesg. Seu estilo de trabalho é muito claro, não prendendo ninguém. Está na profissão por amor ao esporte, sem exigir dinheiro em troca.

Andirá

De tanto pagar e seu time não sair da zona de perigo, o presidente do Andirá Esporte Clube, Marquinhos Gomes, tomou o primeiro golpe este ano quando o seu vice, Afonso Alves, foi para o Juventus. Depois disso ele decidiu assumir a função de treinador e vai para o enfrentamento com os demais. Uma coisa é certa: ele não será demitido.

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