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Clássico karateka dos anos 80 sofre as alterações que o tempo pede
Quando soube que Karatê Kid (The Karatê Kid – EUA, 1984) seria refilmado, fiquei apreensivo, com medo de ver um clássico de minha infância ser destruído pela fome ambiciosa dos executivos de Hollywood. Já está mais que evidente que algumas franquias devem ficar exatamente como estão. Em todo caso, deixei para comentar essa refilmagem somente depois de ver o resultado. E não é que o filme é bom?
As mudanças que ocorreram foram extremamente necessárias. Eu pude assistir ao longa de 84 e confesso que somente uma criança de dez anos (como era o meu caso na época) poderia gostar daquele karatezinho de novela do Ralph Machio (o Daniel Sam do longa), os gritinhos de “Banzai! Banzai! Banzai!” enchem o saco de qualquer criatura. Sem falar nos chutinhos de menina que o Daniel aplica em seu oponente e não só o aniquila totalmente como ainda vence o campeonato de Karatê. Hoje, 23 anos depois, percebo que o que salva o filme do caos total é o desenrolar do roteiro, que é feito de forma magistral, as ótimas sacadas que o longa apresenta ao mostrar que um adolescente pode aprender karatê, enquanto encera, lixa e pinta. Isso sem falar no bônus extra que é a belíssima Glory of Love do Peter Cetera que fazia parte da trilha sonora.
Já no novo Karatê Kid (Karate Kid – EUA, 2010), temos mais ação nas lutas e dessa vez sim, o promissor ator Jaden Smith, mostra que de fato suou a cueca em treinos pesados, que resultaram em aberturas de pernas a lá Van Dame e chutes de 90º graus. O Sr. Han (personagem mestre do jovem aprendiz de kung-fu) convence em sua arte marcial, já que até um morador rural do Humaitá conhece o potencial de Jackie Chan na vida real o que substitui com louvor o carismático Sr. Miyagi do grande Pat Morita (1932-2005), que mesmo sendo um ótimo ator, não sabia uma vírgula de karatê. E por falar em karatê, o longa deveria ser chamado de Kung-Fu Kid (título que foi imposto pela china como uma das condições para que o filme pudesse ser rodado por lá), já que essa é a arte do filme em questão, o que deu um toque bem mais legal ao longa do que seu predecessor, parafraseando o mestre Bruce Lee: “o karatê é a luta de um homem segurando uma corrente nas mãos, o kung-fu é esse mesmo homem segurando uma corrente com uma bola de fogo na ponta”.
E para terminar, a trilha sonora também sofreu as mudanças necessárias. Se antes, o que fazia sucesso era a música romântica, hoje, a canção tema é um pop/dance intitulado Never say: Never! Na voz do fenômeno teen da atualidade Justin Bieber com participação do próprio Jaden (o que aliás, estraga a música quando ele entra com um rap infantil de doer nos ossos), o que tem tudo para ser um hit pra essa meninada de hoje em dia.
No mais, é um filme de verão típico de futuras “Sessão da Tarde”, coisa que o original o fez muito bem como tapa buraco da Globo por mais de uma década. O bom dessa refilmagem é que ela paga ao menos o valor do ingresso. Coisa rara nos dias de hoje.
Dica DVD/Blue-ray
O Violino Vermelho (Violon rouge/The Red Violin)
Elenco: Carlo Cecchi, Irene Grazioli, Anita Laurenzi, Tommaso Puntelli, Samuele Amighetti, Jean-Luc Bideau, Aldo Brugnini, Christoph Koncz.
Direção: François Girard.
Gênero: Drama
Duração: 131 min.
Distribuidora: Warner Bros.
Sinopse: No século 18, artesão italiano constrói violino perfeito para homenagear sua esposa, prestes a ter um filho. Mas a esposa e o filho morrem no parto. O violino é concluído e, ao longo dos próximos 300 anos, passa de mão em mão, de continente para continente, produzindo belos sons, mas sempre acompanhado por uma misteriosa sina.
Dica Musical
Plastic Beach (Gorillaz)
Diferentemente da maioria dos artistas musicais existentes na indústria fonográfica que começam bem, com discos maravilhosos e que terminam suas carreiras com álbuns medíocres, o Gorillaz em minha opinião, fez o percurso inverso. Para quem ainda não o conhece, o Gorrillaz não existe. Ou pelo menos não no mundo real. É uma banda virtual de Rock Eletrônico criada em 1998 por Damon Alban e Jamie Hewllet. Os integrantes da banda são: 2D, Murdoc Niccals, Noodle e Russel, todos personagens animados e fictícios que fazem shows de forma nada convencional. O som do grupo é um trabalho muito semelhante ao feito no Enigma (projeto musical criado pelo ex-cantor pop dos anos 80 Michael Cretu), em que resulta da colaboração entre músicos variados.
No inicio, em 2001, eu não gostei muito do trabalho dos “caras” em seu disco de estréia que tinha apenas o nome da banda, principalmente por considerar sua música carro-chefe “Clint Eastwood” com vocais de Del Tha Funkee Homosapien, chata e que em nada me agradava. Porém, a canção foi um sucesso (gosto é gosto), gerou mais de sete milhões de cópias vendidas e fez o Gorillaz entrar para o Livro dos Recordes (Guinness World Records) como a Banda Virtual de Maior Sucesso em todo mundo.
Seu segundo álbum, Demon Days lançado em 2005, já foi bem melhor. “Dare” na voz de Shaun Ryder é a minha preferida. Pois bem, seu disco mais recente Plastic Beach, lançado esse ano é o melhor até agora. Com destaque para “Stylo” com Mos Def e Bobby Womack, a canção é fantástica em todos os sentidos. É uma mistura de Blues com Pop Eletrônico que funciona muito bem. O clip é um show de realismo gráfico que envolve uma perseguição da banda por nada menos que Bruce Willis, encarnando o que ele sabe fazer de melhor, um justiceiro. Um show de música e imagens que resultam num final surpreendente. Vale a pena ouvir!
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