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Ocultos informantes Imprimir E-mail
Escrito por ELSON MARTINS   
21-Abr-2012

“Mesmo que tardio, ao ver recentemente o filme “A vida dos Outros” (2006), dirigido pelo cineasta alemão Florian Henckel Von Donnersmarck, que tem como motivo central  revelar ao público as entranhas do que foi o diabólico sistema  de espionagem conduzido pela Stasi, polícia política da Alemanha Oriental nos idos do comunismo, eu me senti de súbito movido a editar, sem ressalvas, o dossiê sobre parte de minha trajetória de vida política  que foi elaborado pelos órgãos ditos de inteligência da Ditadura Militar,  tendo por base o relato de informantes e agentes da Polícia Federal e do Serviço Nacional de Informações (SNI). O dossiê não é completo, porque é uma reunião de fragmentos e sínteses de relatos mais extensos, de cujo inteiro teor eu tenciono certamente resgatar pessoalmente junto à Agência Brasileira de Inteligência do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, em Brasília. Espero que eu tenha igual transparência de trato que,  após a queda do Muro de Berlim, recebeu o personagem do referido filme, e, então, me seja permitido cabal acesso a esses relatos dos meus ocultos informantes, pois nunca me dei conta de que estava sendo sistematicamente vigiado e observado por eles e de que minhas simples e limitadas ações eram tidas como perigosas para a estabilidade da ordem institucionalizada pela ditadura militar”.

O relato acima é de Pedro Vicente Costa Sobrinho, sociólogo pós-graduado em Economia Rural e Ciências Sociais  e doutor em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo e que nos anos 1980 foi professor da Universidade Federal do Acre e delegado regional do Sesc. Também foi um dos fundadores do bar Casarão, ambiente símbolo da resistência acreana ao desmatamento e à bovinização dos seringais.

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nova edição pela editora Paim

O pesquisador é autor dos livros: Capital e trabalho na Amazônia Ocidental; Reflexões sobre a desintegração do comunismo soviético; Exercícios circunstanciais; Comunicação alternativa e movimentos sociais na Amazônia Ocidental; Vozes do Nordeste, Outras circunstâncias, entre outros. No Estado foi homenageado com os títulos de cidadão do Acre e da cidade de Rio Branco.

Em 2001, Pedro Vicente lançou pela Editora da Universidade Federal da Paraiba, em primeira edição, o livro “Comunicação Alternativa e Movimentos Sociais na Amazônia Ocidental”, que relata a saga do jornal “Varadouro” e do boletim “Nós Irmãos” (da Prelazia do Acre e Purus), instrumentos fundamentais nos movimentos de posseiros, índios e seringueiros. O livro, que se tornou leitura obrigatória para estudantes de jornalismo e pesquisadores interessados na história recente do Acre, acaba de ganhar uma segunda edição pela Livraria Paim, de Rio Branco, onde pode ser encontrado ao preço de R$ 48 o exemplar.

O livreiro Paim explicou que ainda não fez o lançamento formal da obra porque aguarda a presença do professor e escritor, que se encontra em Natal (RN), mas prevê uma visita ao Acre em Maio deste ano (ler box ao lado).

O “curiculum” que os arapongas da ditadura militar compuseram para os órgãos da repressão é distorcido e mentiroso, como convinha ao regime da época, e manifesta o caráter odioso e preconceituoso de seus autores. Veja, por exemplo, este trecho que se refere ao bar Casarão:

“Em set. 1981, o requerente, como delegado do Sesc-Senac/AC e professor da Ufac, foi objeto de diversos documentos elaborados pelo Serviço de Informações da Superintendência Regional do Departamento de Polícia Federal do Acre (SI/SR/DPF/AC), por seu envolvimento com grupos contestatórios no estado, por suas ligações e atuação junto à subversão, não só quando ainda morava no Rio Grande do  Norte, onde pertenceu ao PCB, como no Acre. Nesse estado, ocupou cargo de vital importância na formação de jovens, seja no Sesc, Senac ou na UFAC, usando tais repartições para seleção de jovens para compor os quadros de grupos de esquerda acreanos, e meios e recursos de tais órgãos públicos para atender interesses de grupos contestatórios ao governo. Ainda, de acordo com os  mesmos documentos, havia montado um bar em Rio Branco/AC, denominado “Casarão”, local que servia de encontro para pessoas de esquerda, pederastas, prostitutas e viciados em drogas, o qual administrava pessoalmente, até altas horas da madrugada, demonstrando assim o baixo nível de interesse pela formação da juventude acreana. Fazia propaganda de seu bar no Sesc, no Senac e na Ufac, o que motivava os jovens a frequentá-lo, conduzindo, assim, assuntos daqueles órgãos para serem tratados no local”.

Mais adiante, os arapongas falam da “atuação de militantes e ex-militantes de organizações subversivas ligados a entidades religiosas”, e dizem que o requerente foi citado como dirigente maior do Sesc/AC, mantendo ligações com o bispo da Prelazia do Acre/Purus. Dizem também que Pedro Vicente , “ainda em nov. 1981, foi citado como ex-membro do PCB/RN, cuja atuação à frente do Sesc/AC, vinha se caracterizando pelo favorecimento à Organização Socialista Internacionalista (OSI), a qual fez imprimir, através da oficina gráfica do Sesc, panfletos da organização subversiva boliviana Movimento de  Isquierda Revolucionário (MIR)”.

E Mais: “De acordo com registros datados de fev. mar.  e abr. 1982, o requerente, ex-membro do PCB/RN, havia se tornado pessoa de grande importância para as atividades das organizações subversivas no Acre. O Sesc/AC, na sua administração vinha se tornando num verdadeiro centro de irradiação do movimento contestatório e subversivo no estado. Utilizava recursos financeiros e material de expediente do órgão, para fazer propaganda do ideário contra-revolucionário. Também, como delegado do Sesc/AC, desenvolvia trabalho junto aos frequentadores daquela repartição, com a finalidade de aumentar os adeptos da esquerda acreana”.

O jornalista Antônio Marmo, paulista, que morou em Rio Branco e fez parte da equipe do jornal Varadouro, conheceu bem o Pedro Vicente na época e chegou a visita-lo em São Paulo, quando o professor preparava sua tese de doutorado na USP. Vejam a reação dele, em tom jocoso, quando leu parte do dossiê que Pedro publicou em seu blog (www.cenasecoisasdavida.blogspot.com.br):

“E eu convivendo com tal indivíduo de altíssima periculosidade, catzo, até frequentando o aparelho da rua Wanderley, 637, SP! Mas a pior dúvida é:  ao frequentar o Casarão não sei em qual categoria me incluiam os arapongas: se pederasta, xibungo, prostituto, qualira viciado ou pessoa de esquerda. Prostituto deve de ser o Elson Martins,  já que não incluiram jornalistas aí na lista... ou o Lhé (há! há! há).

Como eles iam saber a diferença se à noite todos os gatos são pardos e eu que já  sou pardo de nascença? E mais: eu também mantinha ligações com Dom Moacyr, o prelado acre-puruense, desde 1962. O que mais intriga é como eles continuavam  a bisbilhotar mesmo depois de 84, 85, 86 já após a queda da ditadura, carai! Dá pra entender?

Vou procurar minha ficha, se é que alguém se importou comigo. Aí me frustro (rsrs). ABS, Marmo”.

Pedro Vicente vai buscar mais informações junto a ABIN, posteriormente vai responde-las em seu blog: Diz ele:

“Nas minhas memórias, parte em que relato às minhas atividades políticas de oposição à Ditadura Militar (1964-1985), eu dou a minha versão sobre alguns fatos e assuntos que se encontram arrolados neste dossiê que me foi  franqueado pela ABIN. Desde logo eu devo adiantar que nele estão abrigadas algumas mentiras, verdades e também ficção ao meu respeito que, no tempo devido, certamente eu terei de esclarecer. Diante, todavia, do que consta no documento, fica explícito o risco que todo individuo corre nos regimes políticos em que a liberdade é cerceada. A liberdade a meu ver é substantiva, não tem cores e não está à venda, sua defesa nos leva a luta permanente, sem tréguas contra a tirania das ditaduras políticas e religiosas; e mais, a nos manter sempre alertas diante dos simulacros, pretextos, imposturas e artimanhas forjados contra ela, vez ou outra, pelas democracias; haja vista à corrente, banalizada e autoritária concepção panóptica, à la big brother,   na qual está implícito o perigoso  preceito de que:  “o preço da liberdade é a eterna vigilância”.

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MANOEL Paim inaugura sua megalivraria em setembro

O livreiro Manoel Maria Paim, da Livraria Paim, é um entusiasta da produção literária acreana. Em seu estabelecimento tem sempre títulos que se referem ao Acre. E essa preferencia será ampliada quando ele inaugurar, em setembro ou outubro deste ano, a nova livraria no cruzamento das ruas Floriano Peixoto com a Rio Grande do Sul, no centro de Rio Branco. Vai ser um “mega empreendimento”, diz, referindo-se ao tamanho do prédio.

De fato, só o espaço destinado à livraria, no primeiro piso, tem 1600 metros quadrados. O segundo piso vai abrigar 10 lojas de conveniência e um Café; o terceiro contará com um enorme auditório ou teatro para acomodar 250 pessoas.  O prédio que conta ainda com um estacionamento para 40 carros custará mais de R$ 5 milhões.

Manoel Maria Paim, 58 anos, casado, dois filhos, nasceu em Xapuri, mas veio cedo para Rio Branco, onde estudou e se firmou como livreiro a partir de 1981. Ele se formou em Letras e Heveicultura na Ufac, mas escolheu trabalhar com os livros. Na nova fase, sua livraria poderá funcionar também como editora.

 
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