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A COZINHA DO OLIMPO... Imprimir E-mail
Escrito por Patrycia coelho - www.varaldeideias.com.br   
28-Ago-2010
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A singela entrada do Restaurante Acrópolis...

 

Aquela tarde paulistana de início de agosto já ia bem encaminhada quando chegamos ao endereço simples e sem muita afetação. Eu, o Marcos e o Mateus (meu filho), estávamos com uma fome de ‘’anteontem”.

Na frente, um simpático senhor, protegido do frio, convidava para entrar e já perguntava: “- Mesa para quantos?” Na voz, o leve sotaque já dava a entender ser gente de outras terras, mas o sorriso parecia bem brasileiro.

O restaurante foi uma indicação do querido amigo Jorge Henrique, segundo ele, imperdível: não só pelo preço - nada astronômico - mas pela simpatia e carisma do dono, o seu Trasso, um simpático grego de 93... Sim, vocês leram bem, 93 anos!  


Quando entramos no salão, já lotado àquela hora da tarde, compreendemos um pouco da magia do lugar: logo que sentamos, nos foi oferecida uma salada, antes da escolha dos pratos. Eu, gulosamente, pedi uma porção inteira. A salada simples de alface, tomate, raspas de queijo e enormes e suculentas azeitonas pretas, além de outras coisinhas, exalava frescor. Um bom azeite garantia o sabor delicado.  Para acompanhar, pão fresco. Nem precisava mais.

O restaurante existe desde 1959. Seu Trasso casou com uma mulher cuja irmã morava no Brasil e a saudade fez o resto. Dona de restaurante, a cunhada empregou aquele imigrante desejoso de aprender e ele foi ficando. Garçom, cozinheiro e depois, sócio... Em 1969, uma tragédia familiar: perdeu a esposa e a filha, a cunhada e um sobrinho. Então, teve de assumir de vez o restaurante. De lá para cá, muito trabalho e reconhecimento, como atestam as numerosas fotos e vários prêmios expostos nas paredes.

A comida é caseira e farta, cheia de sabor.O seu Trasso nos mostra a cozinha envidraçada e a garçonete nos orienta: “- A senhora olha os pratos, escolhe e eu trago até a mesa”. Arrisquei um olho para as assadeiras e panelas lotadas. A um canto, um dos cozinheiros mexia o que parecia ser o molho da moussaka.

(Detalhe: em recente programa exibido no canal GNT, da SKY, um encantado Olivier Anquier acompanha o preparo e de quebra nos dá a receita, observado de perto pelo olhar divertido do dono: manteiga e farinha de trigo, gemas de ovo, leite em quantidade suficiente para um creme espesso e muito, muito queijo ralado.)

Numa assadeira, camadas de berinjela grelhada, batatas e carne moída. Por cima, o molho. Forno quente e uma assadeira dourada depois, pra comer de joelhos.

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A moussaka e o camarão empanado...
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A torta de semolina...

No dia em que lá estivemos, havia salmão e pato com batatas e cogumelos, acompanhados de arroz. Camarões empanados, carneiro e além da moussaka, prato mais que típico da cozinha grega, lulas cozidas em um belo molho de tomate. As porções são para trabalhador do campo, enormes.Pedimos três pratos.

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Nossa mesa de salada, pato, camarões e a minha moussaka...

 Não consegui dar conta da minha porção toda, o que lamentei pelo resto da tarde.
Simplesmente não cabia, após comer sozinha meia salada com pão.

Para arrematar, dividimos uma das sobremesas, uma deliciosa torta de semolina com bastante mel por cima. Mas, se o estomago aguentasse, ainda havia torta de nozes, pudim de leite e mais uns quatro ou cinco tipos de pecado, a escolher.

Seu Trasso, com toda a simpatia e de olho na entrada dos fregueses, nos conta de seu amor pelo Brasil, país que o ajudou e que segundo ele, trata muito bem o imigrante. Com um largo sorriso, nos diz que nunca irá embora daqui.

Saio de coração apertado ao ver tanta energia em um senhor de tamanha idade, que vai todos os dias ao Mercadão escolher pessoalmente o peixe, o carneiro e as folhas tenras que comemos no almoço.

Penso na generosidade desse país imenso, que acolheu tantos como ele e ajudou a misturar culturas diferentes. Me vem à lembrança meu avô português, Aníbal Lopes, e no quanto aprendemos com ele.

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Meu filho Mateus, o seu Trasso e eu...
 
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