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Êxodo rural e pecuária no Acre Imprimir E-mail
Escrito por Jannice Dantas   
26-Nov-2010

Com o declínio da borracha a maioria dos seringais encontrava-se em processo de falência e as terras foram desvalorizando, com isso, os seringais se tornaram a melhor opção para os que atenderam ao chamado do governador.

Grandes fazendas começaram a ser implantadas. Com isso, imensas áreas de florestas nativas foram sacrificadas e milhares de seringueiros desalojados das suas atividades extrativistas. Isso gerou conflitos, muitas vezes com vítimas fatais e aumentou o êxodo do campo para as cidades.

O êxodo a muito se fazia sentir devido a falta de condições mínimas de vida no meio rural. Os seringueiros aos poucos trocaram os campos pelas e cidades, no entanto, o esvaziando dos seringais ocasionou queda na produção gumífera e transformou o êxodo em verdadeira debandada, provocando o inchaço das cidades, que por sua vez, encontravam-se totalmente despreparadas para receber o grande fluxo migratório.

A capital acreana foi a mais afetada, teve um crescimento desordenado e ingressou num contínuo processo de degradação. Com a miséria, o índice de marginalidade elevou-se e com ela uma crescente escalada da violência. As tímidas ações do governo foram insuficientes e se tornaram impotentes diante das mudanças.

No entanto, é necessário esclarecer que o êxodo da população seringueira para os centros urbanos, cedo ou tarde aconteceria. Os seringais já não ofereciam condições de vida e aos poucos iam gradualmente sendo desativados. Isso já vinha acontecendo desde a primeira desvalorização da borracha. Afinal de contas, o Acre já vivia uma fase de comprometimento da sua principal fonte de receita: a extração do látex.

Surgia então a busca de novos caminhos para o Acre. O Governo Federal começa a instituir programas de incentivo à reativação dos seringais nativos. Porém, os que aqui chegaram optaram pela pecuária e não pela continuação da extração do látex.

Há de se reconhecer que houve falha na forma como se deu esse processo. Não houve um planejamento prévio ou qualquer outra providência que tivesse por escopo proteger essas populações.

Talvez o caminho fosse o zoneamento territorial, tão em voga nos dias de hoje. No entanto, não era cogitado naquela época, afinal, a orientação do governo federal era: ” integrar para não entregar”. E a ocupação dos espaços vazios com certeza era a melhor forma de atingir esse objetivo.

A borracha a cada dia gerava menos receita, não porque tinha perdido para o boi a sua hegemonia e sim por não conseguir preço compensador nos mercados do sul do país, face à maior competitividade da borracha sintética.

A pecuária que durante anos foi de subsistência, fazendo com que a população se visse obrigada a dormir em filas nos mercados na tentativa de adquirir um quilo de carne que fosse e foi somente a partir da década de setenta, quando Francisco Wanderley Dantas assumiu o governo que os pecuaristas começaram a se instalar no Estado, atraídos por sua propaganda: “O Acre é um Nordeste sem seca e um Sul sem geada” e os acreanos passaram a comer carne sem precisar enfrentar longas e cansativas filas nas portas dos mercados.

Enfim, a pecuária mostrou sua importância na economia acreana e tem papel fundamental na geração de emprego, renda e alimento. Como prova disso, o atual rebanho do estado que já passa de 2.600.000 reses e segundo informações prestadas pelo Instituto de Defesa Agroflorestal (IDAF), a vacinação nos gados da região atingiu o 96 % desse total.

 
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