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Sem perder a ternura, as mulheres avançam cada vez mais no mercado de trabalho considerado antes como sendo estritamente masculino
As mulheres representam hoje no Brasil uma parcela significativa do mercado de trabalho. Sem a ambição de ser melhor que o homem, elas avançam cada vez mais no universo de funções que antes eram consideradas como sendo estritamente masculinas.
As mulheres representam hoje no Brasil uma parcela significativa do mercado de trabalho. Sem a ambição de ser melhor que o homem, elas avançam cada vez mais no universo de funções que antes eram consideradas como sendo estritamente masculinas.
Numa demonstração de que sensibilidade não é sinônimo de fraqueza, a classe lida de forma natural com atividades que vão desde a chefia de grandes nações, à mecânica de máquinas pesadas, serrarias, direção de ônibus, árbitro de futebol e outras profissões.
Para a maioria delas não se trata de queda de braço com o sexo oposto ou crescimento na oferta de empregos no país. A resposta é outra. A elevação da participação feminina no mercado de trabalho está relacionada à deterioração da renda e à necessidade de contribuir para a sobrevivência da família. Havendo no entanto, um fator que não pode passar despercebido nessa jornada de mudanças: os investimentos na formação e qualificação próprias.
Hoje as mulheres ocupam cargos importantes em empresas de todos os portes, ganham salários representativos, estão mais independentes e prezam pelo equilíbrio entre carreira e vida pessoal. Em meio a isso surgem questionamentos do tipo: Como lidar com a situação de disputa que se cria, mesmo sem intenção? Como ganhar destaque sem sofrer discriminações, assédios ou desrespeito?
Enquanto vence as dificuldades na conquista de espaço no mercado de trabalho, sendo muitos desses obstáculos enfrentados dentro da própria casa, milhões de mulheres se dividem na administração do emprego, do casamento, da educação dos filhos e da organização do lar. O escritor americano Charles R. Swindoll, ressalta, no livro “Ester”, de sua Série Heróis da Fé”, o “poder da mulher” como sendo um impacto capaz de transformar todo um sistema de antigos valores.
E ele observa: “O adesivo no pára-choque anuncia insolente: ‘O homem certo para o cargo é uma mulher’. Isto é às vezes verdade, admito, mas sinto certo ceticismo quanto à atitude depreciativa por trás das palavras. Há outras vezes em que a frase: ‘o poder da mulher’ é repetida em voz suave, com sentimento de dignidade e respeito”. O escritor coloca em foco as brincadeiras feitas em tom de descrédito, mas também ressalta o lado positivo dos que aprenderam a valorizar a atitude feminina potencializada por sua sensibilidade e perfeccionismo inerentes.
Charles R. Swindoll segue: “É preciso admitir que algumas mulheres simplesmente têm um toque especial. Tais ‘pioneiras’ gostam de enfrentar um desafio – elas enxergam além dos obstáculos, recusando intimidar-se com as dificuldades”. A literatura enfoca o dia-a-dia das mulheres no mundo globalizado e concorda que os desafios aos quais elas se propõem transpor nada tem de fácil ou de romântico.
Para a maioria das entrevistadas, é preciso ter coragem para enfrentar uma jornada de trabalho fora de casa, aliada a responsabilidade pela educação e formação dos filhos, a administração de um casamento e a manutenção exigente do lar.
Muito prazer, sou Janaína, torneira mecânica
Janaína Janes Silva, 21 anos, trabalha a um ano como tornearia mecânica em uma oficina localizada na BR-364. Pesando 58 quilos e medindo 1,70cm, a moça usa um macacão folgado azul que esconde suas curvas, porém, não inibe a simpatia que demonstra aos clientes que passam diariamente pelo estabelecimento.
Apesar de trabalhar com o marido, o também torneiro mecânico, José Vones Mattos da Silva, 38 anos, com quem é casada há quatro anos, ela faz questão de “pegar no pesado” tanto quanto ele. “Não vejo muita diferença entre homens e mulheres com relação à profissões. Acho que todos somos capazes de desenvolver qualquer que seja a função, desde que se faça com empenho e boa vontade”, explica Janaína.
Contrariando a opinião de muitos, Janaína não acha que consertar peças de trator e caminhão seja estritamente “coisa de homem”. Para ela, o peso e manejo de tais peças podem até ser divididos com o colega que está do lado, mas a concentração no serviço, o zelo, e o resultado final do trabalho é uma satisfação própria que supera o suor e as manchas de graxa na roupa.
Se não fosse torneira mecânica, Janaína seria Engenharia Florestal. Essa é outra atividade que ela deseja desenvolver no futuro, tendo em vista que pretende apostar nessa área nos próximos anos. “Já conclui o ensino médio e, para entrar na faculdade está dependendo apenas de tempo e de atitude. Mas isso certamente virá no futuro”, acrescenta. O marido de Janaína, José Vones, observa o trabalho feito pela mulher e confessa sua admiração pela profissional.
“Eu admiro e respeito o trabalho da Janaína, assim como a forma como ela lida não só com as peças das máquinas, mas também da maneira como enfrenta os desafios diários da vida”, afirma. Ele lembra que outras mulheres já trabalharam na empresa, o que significa que não faz distinção de gênero entre os profissionais.
“O serviço feito pelas mulheres recebe um toque especial de sensibilidade e perfeccionismo. Elas são muito mais fáceis de lidar. No entanto, a relação requer um diferencial, ou seja, é preciso saber falar com elas, do contrário a gente pode acabar arranjando uma briga”, declara.
Um toque feminino na indústria de madeira
A empresa Laminados Triunfo, localizada no Distrito Industrial de Rio Branco, atua na fabricação de compensado para exportação. Ela transforma toras de madeira em tábuas finas usadas na fabricação de móveis e outros produtos do gênero. O estabelecimento emprega 50 mulheres em um quadro geral de mais de 300 funcionários.
Uma das funções das mulheres da Laminados é cuidar da classificação da madeira, tendo em vista que tal produto não pode apresentar qualquer tipo de deformação, o que exige maior sensibilidade e cuidado na observação. Nesse caso, uma das responsáveis pelo departamento pessoal da empresa, Ceule Ferreira da Silva, diz que as mulheres são demasiadamente eficientes.
“Isso ocorre devido a sensibilidade e o perfeccionismo que lhes são peculiares. Elas trabalham para garantir perfeição no resultado final, ou seja, são as responsáveis pelo selo de qualidade”, ressalta. Assim como esse grupo de mulheres se destaca em suas atividades diárias, outras também ultrapassam os limites do preconceito, dos mitos e de suas próprias limitações, para aumentar a renda familiar e garantir a sobrevivências de filhos e agregados.
O motorista do ônibus é mulher
É comum elas pararem o carro diante do semáforo amarelo enquanto os que estão no veículo de traz, especialmente homens apressados, olham pelo retrovisor, balançam a cabeça negativamente e dizem, de forma lenta e desdenhosa: “É mulher!”. Contrariando a opinião de muitos machistas, a mulher também assumiu a direção dos carros de passeio da família e, para espanto, - desnecessário, diga-se de passagem, - dos mais conservadores, elas estão dirigindo ônibus.
Mara Gabriela, 31, é funcionária da empresa de Transporte Floresta (Real Norte) há quatro anos e dirige o ônibus número 179, da linha São Francisco/Placas. Ela não se incomoda com as brincadeiras de mau gosto, assim como não se impressiona com os elogios que recebe dos passageiros, inclusive dos homens que utilizam o serviço na região. “Tenho prazer no meu trabalho e dirijo ônibus porque gosto”, sintetiza a motorista, ao ser questionada sobre os percalços da profissão.
No entanto, o que mais estressa no trabalho, segundo ela própria, é o trânsito. Isso inclui a lentidão nos horários de pico e a falta de consciência dos outros motoristas em relação à legislação. No que se refere à segurança, Mara Gabriela diz que já dirigiu no horário noturno, inclusive acompanhada de cobradora, também mulher. Nesse caso ela não se sente mais exposta do que os homens no sentido da violência. “O que o assaltante quer, quando ataca um ônibus, é o dinheiro. E isso acontece independente do fato de quem está dirigindo seja homem ou mulher”, ressalta.
Na vida pessoal, Mara tem uma rotina igual a das outras profissionais das várias áreas. Ela cuida da administração da casa, da relação afetiva e de uma filha-sobrinha. Também não descuida da aparência, do cabelo e da roupa, mesmo em se tratando de uma blusa de farda de trabalho, usada igualmente pelos demais colegas de profissão. “O importante é a gente se sentir bem fazendo o que gosta, caso contrário, qualquer penteado ou vestimenta poderiam ser vistos de forma negativa, ainda que fossem lindos”, conclui.
A assistente do departamento pessoal da empresa Floresta, Elinelma Souza, diz que a firma emprega atualmente 11 mulheres motoristas em um universo de mais de 200 homens desenvolvendo a mesma atividade. Segundo ela, mesmo estando em menor número, as mulheres se destacam no relacionamento diário de trabalho. No trânsito elas também são menos ousadas que os homens, o que resulta em um cuidado maior na prevenção de acidentes.
Segurança e representação feminina
As mulheres também integram os grupos da segurança pública e da representação política do país. Elas fazem frente a cargos de comando nos quartéis, superintendências e corporação civil, assim como representam a voz popular nas tribunas das casas legislativas. Anônimas ou não, cada uma dá sua parcela de contribuição para o desenvolvimento do município, do Estado e do país.
A estratégia da maioria é falar manso, aplicar o diálogo até a exaustão e exercitar o bom senso em todas as suas ações. Mas, também são capazes de gritar alto quando se trata de defender o que acreditam, a integridade da família e das categorias às quais se dedicam. Nesse sentido, o Acre é pioneiro na exaltação das mulheres em cargos de chefia. A ex-governadora Iolanda Lima Fleming foi a primeira mulher a assumir a administração de um Estado brasileiro.
Depois dela vieram muitas outras que se superam na vida pessoal e na gerência de conflitos em suas bases de atuação. Marina Silva, Perpétua Almeida, Ariane Cadaxo, Idalina Onofre, Maria Antônia, Perpétua de Sá, Antônia Sales e tantas outras, que representam as marias, carmens, joãos e raimundos da sociedade.
Na segurança pública, parte das corporações no Acre obedece à orientação de mulheres, uma delas é Márcia Regina, a mulher franzina que assume o cargo de secretária de Estado e demonstra ter tanta competência quanto os colegas homens.
No desafio de combater a violência em um Estado que faz fronteira com os maiores produtores de drogas do país, Márcia Regina mantêm-se firme e serena ao ressaltar as parcerias com os demais órgãos da segurança e a importância da integração na repressão ao crime e nas ações de prevenção a partir do diálogo com a sociedade.
Homenagem póstuma à Salete Maia, precursora na área. Mulher de fibra, Salete ocupou a pasta de secretária de Estado de Segurança Pública em um dos momentos mais críticos do Acre, ocasião em que ajudou a desarticular e prender os acusados de liderar o crime organizado e o narcotráfico nessa parte do mapa brasileiro.
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