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Escrito por Prof. Economista Antonio B. BRITO* - antoniobbrito@uol.com.br   
30-Jul-2011

“Vale tem lucro recorde e acima do dos bancos”
(Brito)

“Os parlamentares têm que mostrar o mesmo tipo de responsabilidade que o povo americano mostra todos os dias”
(Barack Obama)

ESTADOS UNIDOS AINDA NO IMPASSE DE DISPUTA PARTIDÁRIA – O presidente americano, Barack Obama, voltou a falar neste sábado sobre o impasse do teto da dívida dos Estados Unidos, ressaltando a urgência dos partidos Democrata e Republicano chegarem a um acordo para que o governo possa arcar com suas obrigações. “Há muitos caminhos para sairmos dessa bagunça, mas há muito pouco tempo”, disse ele, reforçando que, sem a elevação do limite do endividamento americano, veteranos de guerra e pensionistas, por exemplo, ficarão sem receber benefícios sociais. Segundo Obama, os dois partidos não estão tão longe de chegar a um acordo que satisfaça os dois lados e que um compromisso é necessário até terça-feira, dia 2, quando o governo atingirá o limite de US$14,3 trilhões e não poderá mais pagar suas contas. “O tempo para colocar o partido em primeiro lugar acabou”, disse Obama. “A hora de um compromisso pelo povo americano é agora”. O Senado americano --controlado pelos democratas-- recusou na sexta-feira a proposta republicana sobre o aumento do teto da dívida, que havia sido aprovada cerca de duas horas mais cedo pela Câmara de Representantes. A proposta, apresentada pelo presidente da Câmara, o republicano John Boehner, buscava elevar o teto da dívida americana --atualmente em US$ 14,3 trilhões-- em duas etapas. O líder democrata no Senado, Harry Reid, deve apresentar uma proposta diferente, a fim de obter os votos suficientes de ambos os partidos, para aprovar um plano no Congresso antes do prazo de 2 de agosto. O presidente pediu ainda que os legisladores republicanos mostrem “o mesmo tipo de responsabilidade que o povo americano mostra todos os dias”, pagando suas contas e mantendo a casa em ordem. Em rádio republicana, o senados Jon Kyl, disse que é importante que o país evite o default (suspensão de pagamentos), mas ressaltou que os democratas precisam trabalhar mais próximos aos republicanos. “Após semanas de negociações, ficou claro que os democratas em Washington não veem esta crise como uma oportunidade para dominar os gastos”, afirmou. Há meses a Casa Branca e o Congresso estão envolvidos em negociações para chegar a um acordo que permita elevar o teto da dívida pública dos EUA e, assim, evitar o risco de calote. Nas últimas semanas, o presidente Barack Obama e líderes dos dois partidos --Democrata e Republicano-- se reúnem quase diariamente, mas ainda não conseguiram solucionar o impasse. Analistas afirmam que o calote da dívida americana poderia provocar um salto da taxa de juros nos Estados Unidos e potencialmente ameaçar a recuperação econômica mundial. A oposição republicana exige que um acordo para elevar o teto da dívida seja vinculado a cortes no orçamento americano, para reduzir o deficit recorde, calculado em cerca de US$ 1,5 trilhão (R$ 2,3 trilhões) para o ano fiscal que termina em setembro. Apesar de representantes de ambos os partidos concordarem com a necessidade de reduzir gastos, há muitas divergências sobre o que cortar e que programas atingir. Os republicanos se recusam a aceitar qualquer proposta que inclua aumento de impostos. Obama, no entanto, insiste na necessidade de acabar com cortes de impostos que beneficiam a camada mais rica da população, criados ainda no governo de George W. Bush. Os democratas, por outro lado, relutam em tocar em programas sociais que os republicanos querem enxugar. Com o impasse aumentam as preocupações internacionais, no que se refere aos impactos na economia mundial do risco do default americano.

JUROS DA DÍVIDA BRASILEIRA PÚBLICA BATEM RECORDE - As despesas com juros incorporadas à dívida pública, que inclui o governo federal, os estados, municípios e empresas estatais, somaram o valor recorde de R$ 119,47 bilhões no primeiro semestre deste ano, segundo números divulgados nesta sexta-feira (29) pelo Banco Central. Trata-se da primeira vez, para os seis primeiros meses de um ano, que os gastos com juros ultrapassam a barreira dos R$ 100 bilhões. Contra o mesmo período do ano passado, quando as despesas com juros totalizaram R$ 92,2 bilhões, houve um crescimento de 29,8%, segundo números da autoridade monetária. Na proporção com o Produto Interno Bruto (PIB), porém, as despesas com juros não bateram recorde. No primeiro semestre deste ano, a apropriação de juros representou 6,12% do PIB , ainda segundo dados do BC, o que representa o maior valor desde 2008 (6,15% do PIB). “A trajetória de juros mostrou tendência de crescimento. Reflete crescimento da inflação, visto que alguns indexadores da dívida são a inflação, mas também o crescimento da taxa básica [de juros da economia brasileira, fixada pelo próprio BC] e o próprio aumento da base [estoque da própria dívida]. O que impactou mais, certamente, foi a taxa Selic”, declarou Túlio Maciel, chefe do Departamento Econômico do BC. Para controlar a inflação, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central subiu a taxa básica de juros da economia brasileira em 1,5 ponto percentual no primeiro semestre deste ano, passando de 10,75% ao ano, em dezembro do ano passado, para 12,25% ao ano em junho de 2011. Caso esse aumento de 1,5 ponto percentual seja mantido por 12 meses, o impacto na dívida pública federal será de R$ 8,5 bilhões. E este é o impacto somente na dívida do governo atrelada à taxa básica de juros, que somou R$ 572,8 bilhões em junho. Ainda há o impacto secundário do aumento dos juros básicos da economia nos leilões títulos públicos prefixados (definidos no momento da venda). Quando a taxa Selic sobe, o mercado também cobra taxas maiores para comprar os títulos prefixados do governo. Os dados do BC mostram que foram justamente as despesas com juros do governo federal que mais contribuíram para o valor recorde de pagamento de juros no primeiro semestre deste ano. Dos R$ 120 bilhões de despesas com juros de todo o setor público, R$ 100 bilhões referem-se à dívida do governo, e outros R$ 20 bilhões são de responsabilidade dos estados, municípios e estatais.

VALE SE DESTACA COM LUCRO RECORDE - O lucro líquido da Vale no primeiro semestre deste ano, que chegou a R$ 21,566 bilhões - um crescimento de 126,7% frente ao ganho de R$ 9,514 bilhões sobre o mesmo período de 2010 - registrou recorde histórico para o período entre as empresas de capital aberto brasileiras, segundo levantamento da consultoria Economatica divulgado nesta sexta-feira (29). Atrás da Vale está a Petrobras, que no primeiro semestre de 2010 registrou lucro de R$ 16,021 bilhões, de acordo com o estudo. A pesquisa ainda aponta que, entre os 20 maiores lucros históricos para um primeiro semestre, quatro são de bancos, nove da Petrobras e sete da Vale. Considerando apenas o segundo trimestre, a Vale teve lucro líquido de R$ 10,275 bilhões, o equivalente a R$ 1,94 por ação, 54,9% superior ao mesmo período do ano passado. De acordo com a companhia, o valor é recorde para um segundo trimestre.  Em relação ao primeiro trimestre deste ano, no entanto, quando a mineradora teve ganho de R$ 11,291 bilhões, houve queda de 9%. No primeiro semestre, a receita operacional cresceu 53,7%, passando de R$ 32,011 bilhões para R$ 49,187 bilhões na mesma comparação. Já o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) ficou em R$ 27,827 bilhões entre janeiro e junho, um crescimento de 75,9% em relação aos R$ 15,819 bilhões dos seis primeiros meses do ano passado.

(*) Presidente do Conselho Regional de Economia do Estado do Acre, funcionário aposentado do Banco do Brasil, Professor Universitário e Coordenador de Projetos da LGR RIO BRANCO EMPREENDIMENTOS.

 

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