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Os rios nos levam ao céu por entre seus veios como abrigo de um companheiro, pode acreditar! E Deus aprovará. São ambientes aquáticos que adubam e germinam o mundo em formação. Acenos que deveriam incessantemente brotar no terreno da face humana, diante dos limites do espelho da alma de cada ser humano. Deveríamos negritar o pensamento nas margens, onde navegam os homens, muitas vezes carregados de vaidades.
A razão pra te parar, não para. Ainda é surda e cega. Nem mesmo os sinais do teu esgoelar, a humanidade vê como sinal da tua aflição e medo.
CLAUDEMIR Mesquita
Os desejos que não tenho, batem-me constantemente, como se dirigissem a noite da loucura do tempo, o limite das folhas caídas na hora de cair, sacia a sede do silêncio de um sono profundo, é como tatear os caminhos vazios, é dizer boa noite a ninguém.
Necessariamente, temos que quebrar a qualquer custo a dormência do tempo para chuva cair e florir a primavera dos anjos que viajam no leme da navegação da cultura do Rio Acre. Rio Acre, bem sabes que a floresta que regula tua água encontra-se vivendo no limite da vida. Esse limite é a nossa margem de segurança e a garantia do nosso consistente futuro.
Os rios, não são obras de outras lavouras, nem penas que não se sentem, embora não seja assim, mas, há tanta aflição em fios sem tecer, que me sinto cego de não ver. Presos nas celas da mente, os rios caminham anônimos como as noites que cabe tudo, e ainda serem o sangue que nunca ilude, nunca envelhece e nem desaparece.
Um canto mudo onde a moldura molda o mundo, porque os ambientes aquáticos e a água são os únicos cenários que inspira poesia. O balseiro e a balsa aqui escrita sobre as margens dos jardins noturno da paixão, para florir o novo, chega como silêncio fumegante. Entre a boca e o líquido há um espaço e percorrê-lo não compete ao desenho, muito do que não sei existe, sei do frescor do rio e não comento das pedras que não piso, estão lá pertencem a várzea parada morna.
Os rios onde navegam os homens, onde travo meu choro, onde se renova a esperança, onde busco peixes, são de lágrimas que se um dia for escavado pelo bico de um passarinho, chove gotas, enche lagos e transborda na imaginação de uma inocente criança.
É a insígnia de uma carícia vista da lente de um rio bebendo o arco-íris, que um dia ficou quieto nas lágrimas caídas das flores em plena primavera. Ainda vejo profundas marcas nas praias, cantos em vozes que desconheço. Conheço uma margarida amarela revelando o degrau das longas escadarias da sede.
Rio Acre você é um ente da natureza que veio para tocar o sentimento de quem navega na arte, no requinte e na leveza da canoa de quem lê a existência em você, e utiliza no terreno da existência que existe para seguir adiante procurando pretexto em nome de salvação, mas sim, da metáfora que nunca fora escrita para multidão sair da escuridão.
Nas penas de outros bicos te vejo fazendo corredeira sem uma gota d’água e nem um vapor mutilado, agarro o tempo, mas ele passa célebre e nada detém o anoitecer. Escuta teu coração, ele também bate em meio à multidão, há verões sem lua e sem estrelas. Vou no tempo lembrando, vou no tempo voltando, sempre renovando.
* Professor e escritor
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