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Uma conversa olho no olho. Foi assim a reunião que o secretário de Desenvolvimento Florestal, da Indústria, do Comércio e dos Serviços Sustentáveis (Sedens), Edvaldo Magalhães, teve com os moradores da Florestal Estadual do Antimary (FEA).
Eram nove horas da manhã de sábado, 7, quando começaram a chegar as primeiras famílias, que ocupam uma área da FEA e que na semana passada, atemorizadas com a possibilidade de serem expulsos de suas propriedades, ocuparam a Assembleia Legislativa do Acre.
A reunião aconteceu na casa de farinha de Sebastião Bezerra, morador da comunidade. Cerca de 50 pessoas participaram e tiveram a oportunidade de conversar pessoalmente com o secretário Edvaldo e sua equipe. Foram mais de cinco horas conversando de um por um, ouvindo cada caso, discutindo os problemas de cada morador.
Moradora da comunidade há mais de nove anos, Maria Gomes da Silva, 70, emociona-se ao ver que a cada dia está mais perto de regularizarem sua situação na FEA. “Eu moro aqui há tanto tempo e nunca tinha visto um secretário no nosso terreiro, conversando pessoalmente com cada morador. Agora, eu acredito que daqui para frente nossa vida vai mudar”, confessou.
Muitos moradores residem há menos de cinco anos no local, eles alegam que não conheciam as regras da Floresta e que por isso ocuparam a área, ou então, compraram de terceiros, como é o caso da maioria. Para regularizar a situação foi realizado um levantamento socioeconômico, para definir o perfil de cada morador.
SECRETÁRIO Edvaldo Magalhães se reuniu
com moradores do Antimary no último sábado
Com o perfil montado, muitos ocupantes devem ser encaminhados para Projetos de Assentamentos do INCRA, como é o desejo da maioria, pois desejam aumentar sua plantação ou até investir em pequenas criações. “Eu já moro aqui há mais de três anos, tenho minha plantação, minha criação, mas se eu quiser ampliar eu não vou poder, pois já desmatei umas 10 hectares, por isso quero ser assentado pelo INCRA”, relata Eudo Aguiar.
Outras famílias se enquadram nas regras de Floresta Pública, e se desejarem podem permanecer na Floresta recebendo os mesmo benefícios que os demais já regularizados. O que tem causado preocupação ao governo é quanto àquelas famílias que estão fora do perfil de Floresta Pública e de Projetos de Assentamentos. Como é o caso de funcionários públicos e até pequenos comerciantes, que possuem área de terra no local.
Das 95 famílias que vivem na FEA 53 estão totalmente regularizadas, recebendo inclusive todos os benefícios destinados para as Florestas Públicas, como ampliação e abertura de ramais, programas destinados à agricultura familiar e ao extrativismo, saúde, educação e esportes. Outras 25 famílias, tiveram seu perfil socioeconômico levantado, e estão se decidindo se pretendem se enquadrar nas regras da Floresta ou desejam serem assentadas pelo INCRA.
Porém, existem 18 famílias, que ainda estão com suas situações indefinidas, mas depois da reunião deste sábado, 7, o secretário Edvaldo Magalhães garantiu, que até o fim do mês de julho a situação de todos estará resolvida. “Nós conversamos com cada um de vocês, tivemos aqui uma conversa sincera, de confiança. Garanto que vamos analisar com carinho cada caso dessas 18 famílias, aquelas propriedades que merecem ser visitadas novamente, nós vamos visitar, e até final de julho quando retornarmos já teremos uma decisão”, garantiu Magalhães.
A reunião foi acompanhada por um representante da Fetacre e pelos deputados Major Rocha (PSDB) e Eduardo Farias (PCdoB). Farias elogiou o trabalho que está sendo desenvolvido com as famílias e se comprometeu a acompanhar todas as decisões. “Vejo que há uma relação de confiança entre as famílias e a equipe de governo, estamos acompanhando de perto e principalmente reconhecendo o trabalho que está sendo desenvolvido”, frisou.
O Deputado Major Rocha também elogiou a iniciativa da secretaria em estar perto das comunidades. “É difícil ver uma Secretaria de Estado no meio do povo, ouvindo a população. Parabenizo aqui pela ação em vir no meio da Floresta conversar com a comunidade”, declarou Rocha.
Agora um trabalho delicado está sendo realizado, que é reaver o perfil socioeconômico de 18 famílias, e definir se permanecem na FEA, ou se serão assentadas em Projetos de Assentamentos do INCRA, uma decisão que vai caber a cada morador.
Assessoria Sedens
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