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Rio Acre, o mundo da elegância nunca te vai esquecer, eis aqui teu curso para reflexão diante da arte do palco da vida e da vida da arte, para fazer parte do sagrado livro da divina criação. Das esculturas, da natureza és a modelagem mais bela de todas; a luz das estrelas, o brilho do luar, o tudo e o nada, que a humanidade ainda pode contemplar.
Oh tu, sublime rio, suavemente entalhado no talo da argila, pelas mãos do criador, ao longo dos séculos, produziu muitos mistérios que precisam ser descobertos, ainda que seu corpo e sua alma sejam a lenha desse sagrado e insondável mistério.
E, nós, que te usamos, diariamente, somos tão displicentes que até a ferrugem se envergonhou de nossas apáticas atitudes, interveio corroendo ou desarmando as algemas que prendem os cílios dos olhos daqueles que, embora de olhos abertos, não conseguem ver que o rio une o homem à vida eterna, pois é da água que brota a vida, é o rio que pereniza essa mesma vida.
Ah! Ingrata omissão que não se afoga apenas no arrependimento, mas no sentimento da infelicidade e no remorso dos derrotados, posto que o olhar se dissipa na escuridão da ignorância. E quando o rio nos chama, nem o ouvimos, nem sentimos a sua sede, seu frio, seu incômodo, sua intensa dor.
Oh! Glorioso Rio Acre, tu és igualmente um pai: tanto embala quanto castiga. Ainda assim tu és uma declaração de amor da mãe natureza para os acreanos. Sabemos que dos teus sonhos de vida, és o amor que se mostra em gotas, em cascatas, em corredeiras, estirões e meandros. Assim vais unindo as águas altas e as águas baixas, como a justa forma, em forma de um lago raso ou profundo, brando ou veloz, caudaloso ou impetuoso.
Reconhecemos que se um dia nos faltares, sabes que vamos sofrer. Mas se for para sofrer, desejamos estar contigo nesse sofrimento e compartilhar das tuas cicatrizes. Assim a nossa solidão vai se sentir acompanhada, por isso precisamos de tuas águas para a vida seguir.
Oh! Rio Acre, se ainda tiveres saúde para caminhar minutos, horas, dias, meses, anos, ao encontro de tuas nascentes, certamente te surpreenderias, igualmente o poeta, com a cena, o cenário de desilusão no agosto da tua data.
CLAUDEMIR Mesquita
E, nesse agosto, tu dobrarias os joelhos e erguerias as mãos aos céus, para depois, voltar a terra em prantos. Minhas nascentes quando o poeta te viu sabia que estava certo. Sabia que te sentirias descoberto na extensão do verão aberto, justamente quando mais te necessito não te sinto perto.
E quando o poeta deita o olhar na tua face abatida, avista a semente da tristeza carregada para o deserto da sequidão. Foste tu que ensinaste aos homens que ainda há tempo. Tempo para te cuidar, sem inventar horas.
Padecido; rio, talvez nem entendas esse poeta que te segue, em prantos, pelas margens, ao encontro de tuas águas. Isso porque um rio precisa ser visto na sua totalidade; e nunca por um detalhe senão o resto parecerá feio.
És o rio que embala a vida, igualmente um poeta que com a sua maestria rege os passos e o compasso daqueles que em sociedade, associam-se ao teu leito, para o encanto da vida. Saibamos, as palavras que não tem luz só aumentam a escuridão do nosso conhecimento Por fim, o poeta agora segue apressado, agarrado ao pêndulo de um tenro cipó que lhe aquece na fogueira da madrugada fria.
Professor e escritor
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