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Encontros quinzenais são realizados pelo grupo na Biblioteca da Floresta
Rio Branco é bem diferente das cidades da Antiga Grécia. Além disso, os moradores da capital acreana não têm disponibilidade para ir à academia diariamente em busca de explicações para o real, envoltos pelas inquietações humanas. Mas, como qualquer outra programação propícia para as tardes de sábado, como tomar sorvete, fazer churrasco ou jogar futebol, há aqueles que optam por discutir e dividir ideias, amadurecer pensamentos, conhecer crenças, modos e jeitos, enfim, filosofar. E não pense que é aquela turminha metida a “cult”, de cacoetes que expressam superioridade pedante e estereótipos afins. Não, nada disso. São servidores públicos, comerciantes, professores, estudantes secundaristas e acadêmicos, mães, pais, filhos e avós. Gente comum - ou nem tanto - que preenche o auditório da Biblioteca da Floresta em encontros quinzenais da Sociedade Philosophia.
Os encontros, regados aos mais diversos recursos de comunicação para garantir dinâmica, participação e a concentração dos integrantes, são coordenados pelo professor Marcos Afonso, que é também filósofo, jornalista e amante das artes e do conhecimento. Na Sociedade Philosophia, olfato, audição, visão, tato e algumas vezes até paladar são despertados para ampliação da consciência e fortalecimento do saber. Sons, imagens e vídeos sempre acompanham as reuniões. Nesse sentido, aquele blablablá chato e monótono passa longe.
“O professor tem uma forma muito original de falar sobre filosofia, mostrando que não é apenas teórico. E a gente percebe que ele acredita e sabe do que fala e, assim, faz a gente se concentrar se envolver. Os encontros são muito criativos, e dinâmicos, não há nada cansativo ou monótono. Aqui, a gente aprende a gostar de filosofia”, diz Vasti Quintana, gestora pública.
Filosofia na Catedral - Irreverente assim, a Sociedade Philosophia inova cada vez mais. No último sábado, 17, norteada pela pauta “As principais idéias de Santo Agostinho e São Tomás de Aquino”, a reunião aconteceu na Catedral Nossa Senhora de Nazaré. Cerca de 50 pessoas de diferentes crenças, ideias e idades participaram e conheceram o pensamento cristão na filosofia grega. Ouviram histórias de templos e mosteiros, religião, política, economia, ideologia... “A Idade Média é chamada de a Idade das Trevas, mas ela não é somente isso. Outras leituras podem ser feitas. Houve também luz”, afirmou Marcos Afonso, provocando o reconhecimento de que, na filosofia, compreende-se que é preciso estar aberto e preparado para outros olhares e sentidos.
“Confesso que achava que era uma coisa chata, afinal eu não compreendia a universalidade da filosofia. Participei da Oficina ‘Ética e Cultura no Tempo e no Espaço’ e me interessei em participar também da Sociedade. Hoje, cancelei vários compromissos e vim, é o primeiro encontro de que participo e já anseio pelo próximo”, diz José Mascarenhas, auxiliar público.
A Sociedade Philosophia foi fundada em maio de 2008. As temáticas das reuniões são guiadas pelo romance “O Mundo de Sofia”, de Jostein Gaarder. O livro, traduzido em mais de 50 línguas, foi publicado em 1991 e traz as idéias de Sócrates, Aristóteles, Descartes, Spinoza, Kant, Hegel, Marx, Freud e muitos outros. “Na Sociedade Philosophia, só um princípio ético e inegociável compõe Estatuto de artigo único: A Sociedade Philosophia preserva e promove a vida”, explica Marcos Afonso.
As reuniões estão abertas para quaisquer interessados em consolidar contato com a filosofia por meio da música, poesia, vídeo, fotografias e de outras metodologias bem diferentes das salas de aula.
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Sto. Afonso
Acre
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