| Mães no cárcere |
| Escrito por Textos: Val Sales Fotos: Regiclay Saady | |
| 14-Nov-2009 | |
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Um relato do cotidiano das mulheres que são mães nos presídios acreanos. A alegria da maternidade e a dor da separação aos seis meses
Vida nova depois da prisão
Quando indagada sobre o que irá fazer depois de cumprir pena, a
maioria dos reeducandos (homens e mulheres) é enfática: trabalhar,
estudar e refazer a vida. Essa também foi a resposta de todas as
mulheres entrevistadas, e a afirmação é sempre sincera, mesmo havendo
casos em que a pessoa volta a cometer os mesmos crimes. Isolada da família pela perda da liberdade, parte significativa delas acaba desenvolvendo algum tipo de depressão no cárcere. Os momentos de contato com o que ficou do lado de fora do presídio ocorrem às quartas-feiras, com a visita dos familiares, e quintas, com a visita íntima dos cônjuges. O instituto abriga atualmente 119 presas que cumprem pena no regime fechado e 20 no semiaberto (passam o dia fora e dormem no presídio). 85% do total cumprem pena por tráfico de drogas e o restante, por furtos e homicídios. CARTA A UMA MÃE PRESA
Vou contar um pouco da história de mães que por não pensarem acabaram perdendo sua liberdade.
Vamos de cabeça erguida batalhar por uma vida melhor, por uma vida digna de ser vivida!
Mais uma vez volto a repetir: o crime não compensa. Assaltos, roubos te dão dinheiro, mas roubam a sua liberdade. Mãezinhas, vamos usar esse lugar para pensarmos no que vamos fazer lá fora, pois em breve todas iremos sair, cada uma terá a sua vez. Basta ter paciência, pois cedo ou tarde a vitória chegará.
Eu nunca tive o amor de uma mãe, assim como muitas não tiveram, por isso, vou dar todo o amor à minha filhinha.
Existem muitas mães da sociedade que passam por muitas dificuldades para criar seus filhos com educação, para poder dar um futuro melhor para eles, e se hoje essas mães da sociedade têm uma profissão, uma vida boa financeiramente e digna, é porque elas batalharam, lutaram para ser o que são. Elas não optaram pelo dinheiro fácil, pelo mundo de ilusão, assim como nós, mães presas, escolhemos no passado. Por isso elas são guerreiras!
Ser mãe é sofrer com o sofrimento de um filho e chorar quando ele chora. Espero de coração que essas palavras possam entrar em nossas vidas e que não fiquem apenas neste papel, mas também em nossa mente e que possamos concretizá-las.
Amor de mãe é puro e transparente como água cristalina, e doce como mel.
Que Deus abençoe todas as mães desse mundo, dando-lhes força para nunca desistirem, pois é muito triste uma criança sem mãe.
Fabiana Nascimento
Nas longas noites insones, elas observam os filhos que dormem tranquilos e choram baixinho antevendo a solidão que se seguirá após a partida dos pequenos corpos que pensaram inseparáveis dos seus. O drama da cela do Pavilhão “M” envolve quatro mulheres com filhos de três a seis meses de idade e uma grávida prestes a dar à luz.
Todo o processo da maternidade é acompanhado de perto pela direção do sistema prisional. Enquanto uma psicóloga prepara as mulheres para o momento da partida dos filhos, uma assistente social observa in loco as condições das famílias (em maioria avós) que receberão os bebês. No entanto, para a maioria delas, o fato de saber que as crianças serão cuidadas pelos familiares não faz desaparecer o sentimento de vazio e desalento que as próximas noites trarão. “Dedico todo o meu tempo ao meu filho e dou a ele todo o carinho que posso. E, apesar de saber que ele vai sentir muita falta, prefiro suspender a amamentação somente quando ele for embora”, declara Maria de Jesus Ribeiro dos Santos, 27. Ela é natural de Tarauacá e cumpre pena de quatro anos e sete meses por tráfico de drogas. No presídio há sete meses, Maria já se prepara psicologicamente para o momento da separação de F. S., de quatro meses de idade. “Tento me confortar com o pensamento de que ele será bem cuidado pelos avós, mas nada preenche o sentimento de perda que sinto desde agora”, diz Maria de Jesus, que se emociona enquanto fala e segura o filho, que dorme em seu colo. A família dela mora no bairro Tancredo Neves e a visita constantemente, o que significa que receberá notícias sobre o desenvolvimento do filho. Maria afirma ainda que não lamenta a gravidez e o nascimento da criança, mas não esconde a preocupação de, no momento, e especialmente nos primeiros meses de vida do filho, tanto ela quanto o marido estarem reclusos em uma instituição penitenciária. “Vamos perder essa fase que seria tão especial para as nossas vidas e para a vida do bebê,” acrescenta. Ela deixa claro que tem consciência de que deve pagar pelo delito que cometeu, mas ressalta que o drama de solidão que acompanha esses três personagens é um preço alto demais a ser pago. “Que nossos exemplos sirvam para alertar os jovens que estão lá fora”, enfatiza. Os primeiros passos serão ensinados pelos avós
“Ao vir para cá, além da liberdade, eu perdi o direito de ficar com minha filha e acho melhor mesmo que ela fique com minha mãe até eu sair e reassumir a responsabilidade por sua formação”, garante Jonara, que, como as demais detentas, não se esquiva da responsabilidade de pagar pelo delito que cometeu, mas lamenta o afastamento precoce da filha. “A proximidade da partida dela aumenta a dor, mas se eu chorar e me desesperar, não vai resolver o problema. O que mais lamento é o fato de saber que não vou poder acompanhar os primeiros passos da minha filha e as primeiras palavras que ela disser”, acrescenta. Jonara explica que o marido a abandonou nos primeiros meses de vida da menina, não tendo aparecido mais nas visitas ou enviado dado notícia.
A mulher se mostra triste ao falar da proximidade do momento de se despedir da filha, mas desde a gestação já havia decidido que o melhor para a criança seria a companhia da avó, que mora no bairro Sobral. “Minha filha não merece ficar aqui e minha mãe vai saber, até melhor que eu, ensinar-lhe os primeiros passos.” Assim como as demais, Francisca Rocha aguarda com expectativa a hora da saída e, em se tratando de investimentos futuros, destaca apenas uma certeza: “Não vou repetir o mesmo erro que me trouxe aqui”.
Distância da família aumenta a solidão e o sentimento de abandono
Sônia deu à luz o filho W.L. há quatro meses e espera sair da prisão junto com o bebê ainda este ano. “Minha pena está no fim. Vou ter a oportunidade de começar uma nova vida ao lado dos meus familiares e do meu filho”, declara. Para a maioria das detentas, os dias passam lentamente, enquanto a ansiedade toma corpo. Ela está grávida de nove meses de uma menina que vai se chamar Ticiane. Distante de seu país e da família, a jovem espera o nascimento da filha e pretende entregar a guarda à mãe antes de a menina completar os seis meses de idade. “Não vejo minha família há muito tempo, mas devo aproveitar que minha mãe prometeu me visitar logo que o bebê nascesse para enviá-lo junto”, declara. Para Betsaida, o fato de passar muito tempo sem ver a família e a oportunidade da visita da mãe apressam a separação da filha, mas, em última análise, chega a ser uma possibilidade de ela não se apegar tanto ao bebê que vai nascer. “A gente se apega a qualquer esperança. Até mesmo ao impossível”, afirma. Enquanto o tempo passa, Betsaida prepara, ela mesma, o enxoval do bebê. Com linhas colorida e tecidos, ela borda as roupas, fraldas e mantas que a filha usará nos primeiros meses de vida. Além dos bordados, faz pintura em tecido e usa o dinheiro arrecadado na venda de peças para se manter.
Mulheres de saúde frágil
“A gente acompanha de perto o processo que vai desde a gestação ao nascimento da criança e faz de tudo para que mães se fortaleçam para o momento da separação dos filhos”, explica. Enquanto a psicóloga trabalha a saúde emocional das reeducandas, o serviço social da unidade visita e conversa com as famílias que receberão os bebês até que as mães tenham seus alvarás de soltura. A ação visa garantir que a mudança, ou seja, o afastamento da mãe, não traga prejuízos à formação das crianças. “Toda a equipe é sensível a essa questão, e a prioridade é a criança”, assegura a psicóloga.
Segurança da criança é prioridade no Complexo
“A gente acaba se envolvendo emocionalmente com as crianças e fica aqui torcendo para que elas estejam seguras. Por esse motivo temos tanto cuidado com relação às condições das famílias que ficarão com a guarda delas enquanto as mães cumprem pena”, explica. Para Poliana, o contato da criança com a mãe é tão importante quanto o alimento. “Nada substitui o afeto da mãe, o primeiro cheiro e a voz que a criança vai sentir e identificar como sendo sua base de segurança.” Poliana diz que ela própria - no caso de Sônia de Oliveira Lopes, cuja história foi citada acima - interveio para que a mulher permanecesse com o filho, já que esta pretendia entregar a criança para a família muito antes dos seis meses de idade. “Ela pensava que a saída do bebê antes do prazo estabelecido causaria menos sofrimento a ambos. No entanto, não se poderia tirar dele o direito de ficar com a mãe nos seus primeiros meses de vida”, acrescenta. Trabalho de ressocialização
A gerente de controle e execução penal do Instituto de Administração Penitenciária do Estado (Iapen), Amábile Silva Link, afirma que em breve o setor estará promovendo um bazar para vender os artigos produzidos pelas mulheres. “Temos aqui uma oportunidade de profissionalização que vai servir para dar suporte financeiro a elas lá fora. A intenção é de que o tempo de prisão e o próprio sistema ofereçam oportunidade de ressocialização das detentas”, lembra. Link ressalta que, ao contrário do que parte da sociedade pensa, os detentos não ficam reclusos o tempo todo dentro de uma cela. Eles têm a oportunidade de estudar, profissionalizar-se e produzir. “O fato de oferecer atividades diversas de trabalho, estudo e profissionalização é uma forma de contribuir para a formação de um novo cidadão. Apesar de muitos voltarem ao delito, outros se agarram à oportunidade que tiveram de aprender e usam isso lá fora para dar o sustento de suas famílias”, observa. Para o diretor-presidente do Iapen, Leonardo Carvalho, o contato com a família fortalece o convívio social dos detentos, assim como os planos de futuro que são reconstruídos dentro do cárcere.
Comentarios
(8)
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escrito por suely , Janeiro 30, 2010
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escrito por benedito alves correia , Março 04, 2010
este comentário desta moça ea a realidade do nosso dia a dia,se todos q usa droga refletice ante de usa o mundo não tinha muito cm q se preucupa,e maio danos da nossa vida o hoje e a droga,q deus ajude esta moça par q ela não venha mas cai neste mundo sem volta,Deus abencoe esta mãe e ajude na dura realidade d hojé q e livra os filho desse caminho perdido q e as drogas
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escrito por maria do carmo , Maio 16, 2010
Parabenizo o sistema carcerário feminino. Sabemos que essas jovens mães cairam no mundo de vender drogas exatamente por falta de oportunidade de trabalho aqui fora. Agora aprendendo alguma profissão creio que jamais irão querer essa vida que levavam antes.Como sujestão poderia ter cursos demanicure , cabeleireira, costureira e etc.
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escrito por socorro futura assistente social , Maio 24, 2010
muito triste tira as crianças das mães cedo demais. doi na alma.as crianças sofrem quando separam das mães.eu acho que as reeducandas tem que pensar mais e se cuidar para n engravidar na cadeia,pois as crianças ficam pouco tempo com as mães e vão sofrer na idade de 6 meses e um periodo que elas est~ao mais apegadas as mães.e separada das mães sofrem mais.eu sou a favor do aleitamento materno até mais de um ano de idade. estou fazendo minha manografia baseada nesse tema aleitamento materno.as crianças tem mais que ficar com as mães até completar um ano de vida. eu o amamentei um de meus filhos até 5 anos e ele ainda queria mamar. foi dificio ele deixar o peito. parabanizo as assistentes sociais do complexo penitenciario pelo trabalho.
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escrito por Mauricio Hohenberger , Outubro 27, 2010
É deprimente ver mulheres que se encontram encarceradas, pois quase em sua totalidade, são levadas a erro por seus companheiros, ss quais, depois de serem encarceradas, são abandonadas nos presidios, e tal fato, ocorre em todos os Estados, não sendo privilégios do Acre.
Porém sinto emergir esperança, quando vejo que as instituições penais, estão preocupadas com a promoção de condições melhores para as detentas. Na verdade, é este o papel do Estado, pois é de extrema necessidade, que essas mulheres tenham condições de retornar à sociedade, e possam recuperar o tempo perdido. Parabéns aos que se preocupam e atuam naquela unidade. É necessário humanizar os presídios, e isso só ocorre com este tipo de procedimento.
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escrito por Maronilda Nogueira Lopes Carneiro , Setembro 22, 2011
Visualizei de perto essa triste e inesquecível cena,Fui Agente Penitenciário da Primeira turma Provisória,e em 10(dez)meses não foram raras as vezes que vi bebês atrás das grades,impiedosas e sem esperanças,crianças tão puras e inocentes e já marginalizadas,por força das circunstâncias.
Um coração humanizado não acostuma-se com tal cena,por mais que as veja centenas de vezes,a sensação sempre será entorpecedora e maléfica,ao final da tarde algumas saíam da cela de suas mães e enchiam o corredor do Pavilhão(M),no ar uma mistura de sentimentos,felicidade de vê-las fora de um lugar execrável,hora incerteza,incomensurável incerteza!O que será dessas inocentes crianças.Sem os seus pais para protege-las educa-las,sua estrutura familiar completamente desfeita.A quem culpar?A quem recorrer?Diante do colapso moral e social que se estabelecera à sociedade,vítima ou algoz das suas próprias ações.
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escrito por fran , Outubro 10, 2011
olha fiquei muito emocionada,com essas crianças que ficam presas junto com as mães,pagando um erro pelo qual a mãe faz,torço por elas.que deus abençoe e que possas logo pagar pela pena e criar seus filhos.pois não tem nada melhor que poder dar amor de mãe ao seu filho,não tem preço!
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escrito por wagner benevides , Junho 18, 2012
Quero informar que aqui em Belo Horizonte MG estamos desenvolvendo um projeto inedito no Brasil,vomos criar peixe ornamental na Penitenciária feminina Estevão Pinto.
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Suely