Simplesmente Mãe
Escrito por Textos: Whilley Araújo Fotos: Regiclay Saady   
09-Mai-2009
O amor que une dois seres, mãe e filho, não pode ser homenageado em um só dia nem cabe em um só jornal
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Coração de mãe

Mulher confirma dito popular e ratifica que, em coração de mãe, sempre cabe mais um - seja biológico ou adotado


dia_das_mes_70_rs_.jpgQuando se pensa em maternidade, geralmente se faz uma conexão com o aspecto biológico da gravidez e do nascimento de um bebê. Costuma-se imaginar todo o processo que envolve desde o desejo de engravidar, a decisão pela gravidez, até a passagem dos nove meses de gestação e, por fim, o nascimento do filho. Porém, essa não é a única forma de a mulher exercer a maternidade - há também a possibilidade de se adotar uma criança.

Um dos principais motivos que leva a adoção de um filho é a infertilidade. Esse foi o caso de Aline do Nascimento Ferreira, 38. Depois de passar por vários tratamentos e duas inseminações artificiais (procedimento que atualmente custa mais de R$ oito mil) na tentativa de engravidar, ela viu o sonho de ser mãe virar realidade na adoção de uma criança de oito meses.

E a surpresa não ficou por ai. O diferencial está no fato de o processo de adoção, por ser moroso, ter sido efetivado três dias depois de Aline ter dado à luz o seu primeiro filho biológico (o que, segundo a medicina, não seria possível), o que significou uma recompensa dupla pelos dolorosos anos de espera.

Ela diz que nunca desistiu de dar a luz a uma criança. Mesmo após várias tentativas sem sucesso, Aline manteve a fé, acreditando que um dia Deus iria prover. Não passava pela sua cabeça adotar uma criança, até que em uma oportunidade ofereceu carona a uma amiga até o Educandário Santa Margarida, onde viu uma menina de oito meses e se apaixonou pela criança à primeira vista.

“Então optei pela adoção e hoje essa criança, a quem demos o nome de Marcela, tem 11 anos e é muito amada por mim e por toda a minha família”, destaca.

Aline comenta que, curiosamente, o parto do seu primeiro filho foi realizado justamente pelo doutor que a medicou quando teve início a luta para ser mãe. “O doutor ficou surpreso quando me viu na sala de cirurgia e me parabenizou pela grande vitória”, salienta.

Para ela, ser mãe é uma realização como mulher, como esposa. Ela ressalta que não consegue sequer tentar em um local com o seu esposo sem falar dos filhos. “Eles vêm naturalmente em nossos pensamentos, não saem de nossas cabeças nem ser quisermos”, enfatiza.

 

Amor análogo e incondicional a todos os filhos

dia_das_mes_73_rs_.jpgAtualmente Aline tem quatro filhos: Marcela (11 anos), Yan (8 anos), Daniel (3 anos) e Valentina (um mês e meio). Os dois últimos não foram planejados, mas, segundo a mãe, “também são uma bênção”. Ela assegura que os seus filhos são sinônimos de felicidade.

Quanto ao tratamento dado às crianças, Aline afirma que o carinho, as broncas e a atenção dispensados a um são estendidos aos demais da mesma forma e intensidade. “Tudo que proporcionamos a um deles oferecemos aos outros na mesma medida. Isto é, não existe aquela história de um ser mais querido que o outro. A preocupação na escola, com notas, com saúde, tudo é semelhante”, assevera Aline.

 

Adoção revelada naturalmente

dias_das_mes_72_rs_.jpgUm dos momentos mais difíceis quando se adota uma criança costuma ser a hora de contar ao filho essa condição. No entanto, Aline garante que não enfrentou muitos problemas para revelar à filha Marcela que ela não havia saído de suas entranhas.

Segundo a mãe, isso aconteceu naturalmente. “Começamos a falar sobre o assunto quando a Marcela iniciou algumas tarefas da escola que indagavam sobre como as crianças haviam nascido, o local e coisas do tipo. Naquela ocasião fomos respondendo conforme as perguntas e a Marcela foi aceitando naturalmente”, explica Aline.

De acordo com ela, os próprios psicólogos e membros do Conselho Tutelar aconselharam durante a adoção que sempre fosse dita a verdade à criança, evitando assim futuros traumas e rebeldias por parte do filho. “A Marcela se sente muito bem, até porque ela é muito querida por pai, mãe, avós, irmãos. Inclusive em sua certidão de nascimento consta o meu nome, do meu marido, avós maternos e paternos, ou seja, tudo que outras crianças também têm”, pontua.

Mãe de Marias

Amor e Fé de dona Minervina: admiração por mãe de Jesus a inspirou a colocar o nome de Maria em todas as filhas

Aos 78 anos de idade, dona Minervina Silva Barbosa sente-se uma mulher realizada. Nascida em um seringal no município de Feijó, interior do Estado, casou-se aos 14 anos e vive com o marido até hoje. A relação culminou em ótimos frutos, entre os quais 12 filhos - dez mulheres e dois homens -, sendo que todas as filhas chamam-se Maria.
Minervina explica que o nome dado às filhas é reflexo de sua religiosidade. Apesar de não saber ler e escrever, o que a impediu de acumular um conhecimento mais aprofundado da Bíblia Sagrada, ela revela que o nome dado às filhas representa uma homenagem à mulher que deu à luz Jesus Cristo.

“Sou extremamente católica e admiro bastante a história de Maria, mãe de Jesus Cristo e de todos nós. Também sou devota de São Sebastião e outros santos. Sempre rezei muito desde que era novinha”, comenta Minervina.

Para se ter uma idéia da religiosidade da idosa, uma de suas filhas, Rosa Maria, 39, conta que quando a família ainda morava no seringal, dona Minervina pedia que seus filhos rezassem todos os dias um terço, isto é, 50 Ave-Marias e cinco Pai-Nosso. “Além disso, também andávamos pelo menos cinco quilômetros durante algumas noite da semana para rezar uma novena no vizinho mais próximo ou no lugar escolhido para sediar a reunião religiosa”, lembra Rosa.
Dona Minervina e seus atuais 11 filhos (um acabou falecendo aos quatro meses de vida) saíram do seringal de Feijó no início da década de 90, quando a matriarca da família foi acometida por problemas de saúde e se viu obrigada a buscar tratamento médico em Rio Branco.

Minervina, que atualmente sofre alguns problemas por falta de memória, faz esforço com suas filhas para lembrar que sua fé também já ajudou a curar um dos filhos. O rapaz tinha sérias complicações na visão e corria o risco de não mais enxergar. “Naquela época fiz uma promessa a Santa Luzia, que é muito amada e considerada a protetora dos olhos, para que curasse meu filho. Depois de muita fé e esperança, meu pedido foi atendido e meu filho ficou bom da vista. Por isso sempre no dia de Santa Luzia eu fazia um almoço para celebrar o milagre que nossa família recebeu”, ressalta Minervina.

O amor incondicional dedicado aos filhos é recíproco. Apesar de morar sozinha com o esposo, ela é visitada todos os dias por seus filhos e filhas, que se revezam para nunca deixarem dona Minervina sem companhia. “Sinto-me completamente feliz estando rodeada dos meus filhos e netos queridos. Todos os dias eles vêm me visitar e alegrar ainda mais a minha vida”, salienta a aposentada. 

 

Educação dos filhos

dia_das_me_50_rs_.jpgCom a casa repleta de quadros pendurados na parede com imagens de Jesus Cristo, Maria e outras santas, dona Minervina enfatiza a criação de seus filhos sempre com foco na fé e no poder de Deus e de Jesus Cristo. Ela diz que muitas de suas filhas continuam fiéis à religião católica até os dias de hoje, enquanto outras tornaram-se evangélicas, fato que não causou nenhuma desunião na família.

Minervina afirma que quer muito bem todos os seus filhos. Quanto ao segredo para educá-los de tal forma que eles tenham um sentimento de gratidão eterno, ela acredita que é importante o ensinamento dos pais, que devem sempre fazer coisas boas que sirvam de exemplo aos filhos.  

“Se nos dedicamos e os educamos dentro do que é correto, isto é, proporcionando-os coisas boas, eles [os filhos] nos darão um retorno semelhante, retribuindo todo o esforço a eles destinado nos momentos de dificuldades de nossas vidas”, assevera dona Minervina.

Quando a responsabilidade chega cedo

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Adolescente de 17 anos enfrenta as dificuldades de uma gravidez precoce contando com a ajuda de uma supermãe nas horas mais difíceis

caderno_especial__dia_das_me__13_rs.jpgAmabile Oliveira Rodrigues, 17, que há bem pouco tempo brincava de bonecas, teve que amadurecer rapidamente nos últimos meses em virtude de uma gravidez precoce. Sentada em um dos bancos da maternidade, ela espera pelas últimas consultas que antecedem o parto. A menina mantém um olhar infantil, apesar de a mudança no corpo ser o prenúncio de que nada em sua adolescência será como antes.

A jovem engravidou do namorado, que, pela pouca idade (23 anos), preferiu abandoná-la a ter que assumir a responsabilidade de criar um filho. E ela teria ficado sozinha se não fosse a ajuda da mãe, dona Helen Oliveira, 34 anos. Helen, que fez curso de auxiliar em enfermagem, acompanha de perto o pré-natal da filha e se manteve junto, apesar de achar que a gravidez veio muito cedo na vida de Amabile.

Dois dias antes da data prevista para o parto, Amabile sai do consultório preocupada após a conversa com o médico. “A posição do bebê está meio inversa. O médico disse que estava aguardando ele se posicionar corretamente. Foi solicitada outra ultrassonografia, e é possível que seja um parto cesárea. Estou sentindo apenas inchaço, nada de cólica ou outro incômodo”, revela a adolescente.

Ela confessa sentir um pouco de medo por não saber como será o parto, no entanto, reconhece que o fato de a mãe estar sempre ao seu lado lhe dá uma sensação de segurança e proteção. “Estou tendo uma gravidez até tranquila, não perdi líquido nem houve outro problema. Uma pequena preocupação foi uma suspeita de infecção urinária, algo que não se confirmou”, conta.

Amabile começou a fazer acompanhamento médico antes dos seis meses de gravidez em Brasiléia - onde morava com o namorado -, até acontecer a separação e ir morar com uma amiga. “Faltando três meses para o parto tive um pouco de anemia e lá no interior não havia tratamento específico para isso. Então vim para Rio Branco, tratei-me em um posto de saúde e comecei a morar com minha mãe e meus irmãos aqui na capital”, diz a jovem.

O filho de Amabile, um menino, deverá nascer em dois dias, mais precisamente em 2 de abril de 2009. Dona Helen está tão ansiosa ou mais que a filha. Mãe de seis filhos, Helen terá o seu primeiro neto. “A expectativa é muito grande, quando estamos grávidas ficamos com muita ansiedade, mas, como dizem, neto é filho duas vezes. Então parece ser uma emoção ainda maior”, afirma.

O pai da criança trabalha nas Forças Armadas. De vez em quando liga e fala com a mãe de Amabile. Faltando dois dias para a data prevista para o parto, o ex-namorado da jovem comprou apenas algumas mudas de roupa para o bebê. Já o pai de Amabile reside em São Paulo. Mesmo sabendo que a adolescente está grávida, limitou-se a dizer para dona Helen ajudar a filha que depois a apoiaria.

O registro da criança

Terça-feira, 5 de maio, o ex-namorado da jovem aparece na casa de dona Helen à tarde para que a criança seja registrada. No mesmo dia, pela manhã, a equipe de reportagem do jornal Página 20 fez uma visita à casa de dona Helen para saber como estava a situação da família e do bebê.

Depois de uma conversa, Amabile comenta que ainda não havia escolhido o nome que daria ao filho, disse somente que pretendia colocar um nome composto. Quando a equipe deste matutino estava se despedindo da família, dona Helen se dirigiu até o carro da reportagem e perguntou ao autor deste texto: “A Amabile perguntou se pode colocar seu nome no bebê? Ela quer que se chame Jheimes Whilley”. Extremamente honrado, surpreso e emocionado, o repórter respondeu prontamente que estava lisonjeado por uma homenagem tão significativa.

A criança foi registrada no mesmo dia, no período da tarde, com o nome de Jheimes Whilley de Souza Rodrigues.

Se virando como pode

dia_das_mes_57_rs_.jpgAlém de problemas enfrentados por praticamente todas as mães de primeira viagem, Amabile também sofre com a precária condição financeira da família. Sua mãe cuida da casa e das crianças, enquanto que o padrasto, que é pedreiro, atualmente está sem emprego, realizando apenas alguns “bicos” para sustentar a família.

“O pai da criança garantiu que ia mandar algumas coisas, mas até agora, para se ter uma idéia, o bebê dorme com um mosquiteiro de adulto. Não há lenço umedecido, fraldas e outros produtos que são necessários. Hoje, faltando três dias para o bebê completar um mês de vida, ainda não pudemos realizar sequer o teste do pezinho. Tem o carro do meu companheiro na garagem, mas não há dinheiro para abastecê-lo e irmos até o hospital”, enfatiza dona Helen. 


Parto cesárea e muitas dificuldades nos primeiros dias como mãe

O dia 2 de abril chegou e Amabile não sente dor alguma, apenas contrações. Os dias seguintes são semelhantes, até que no dia oito de abril a criança vem ao mundo. De parto cesárea, o bebê nasce com 3,810 quilos e 52 centímetros. O menino e Amabile permanecem na maternidade por cinco dias, isso porque o neném nasceu muito grande para os padrões considerados normais e deve ser submetido a algumas avaliações.

Amabile volta para casa de dona Helen. Os primeiros dias como mãe não são fáceis para ela. O bebê mama bastante, mas parece que nunca se satisfaz. Além disso, a adolescente se sente mal algumas vezes, ainda por conta da cirurgia. “Tenho muito leite e mesmo assim o bebê não se sente satisfeito. Isso faz com que eu sinta dor nos seios uma vez ou outra”, diz Amabile.

A jovem também começa a acordar diariamente às madrugadas, já que o filho quer mamar a quase todo instante. Em algumas oportunidades, Amabile fica preocupada com o choro do bebê e se vê na necessidade de chamar a mãe, que tem mais experiência com crianças. “Ser mãe é bem mais complicado do que eu imaginava, não é nada fácil. Mesmo assim não deixa de ser uma dádiva de Deus”, descreve a adolescente.

A mãe de Amabile percebe que a menina está um pouco atrapalhada em seus primeiros dias como mãe. Dona Helen considera isso normal, levando em conta que a menina passou por inúmeras dificuldades durante e após a gravidez. “Quando a criança chora bastante, vomita, ela fica aperreada. Notei inclusive certa rejeição por parte da Amabile no início, o que é reflexo da ausência do pai, de nossa condição financeira e de alguns outros problemas. Mesmo assim estamos superando isso todos juntos e as coisas irão melhorar”, enfatiza dona Helen.

... afinal, o que é ser mãe?

Esta é uma pergunta que só pode ser respondida por quem já recebeu tal dádiva. Então, com a palavra, as mães...

Uma passagem bíblica conta que o rei Salomão, diante de duas mulheres que afirmavam que uma mesma criança lhes pertencia, determinou que se dividisse ao meio o menino, usando, para isso, um golpe de espada. Uma delas, então, desistiu da contestação e disse que preferia perder o filho a vê-lo morto.

Salomão, sem dúvida, concluiu que aquela era a verdadeira Mãe.
Um pergunta que poderia parecer fácil à primeira vista torna-se cada vez mais complicada e chega mesmo a engasgar na garganta quando elas mesmas, as mães, são chamadas a dar a resposta. Que tipo de mulher é essa que coloca os filhos sempre em primeiro lugar? Que passa nove meses alimentando um “serzinho” que nem bem conhece com o próprio sangue? Que muda a vida, a rotina, os planos para servir à família? É difícil responder. Por isso, a reportagem deste matutino foi às ruas e pediu que elas próprias dessem as respostas!

me_enquete__maria_de_nazar__1_rs__.jpg“Ser mãe é tudo na vida. Infelizmente perdi a minha quando tinha apenas dois meses de vida e não pude conhecê-la. Atualmente tenho três filhos e por isso me sinto a mulher mais feliz do mundo, extremamente realizada. Passamos por momentos complicados, mas as alegrias sobressaem. Passo o dia fora de casa contando as horas para chegar a noite e os domingos, quando poderei estar ao lado dos meus filhos.” (Maria de Nazaré, 38 anos)

me_enquete_rodynei_oliveira__1_rs__.jpg“Ser mãe não significa ter dores de cabeça, ainda mais quando se tem duas filhas tão maravilhosas quanto as minhas. Entendo que toda mãe deve agradecer muito a Deus por ter tido um privilégio como esse, que é único e inexplicável. Além disso, quantas e quantas mulheres não sofrem por não poderem ser mães? Então posso dizer que ser mãe é tudo nesse mundo.” (Rodyney Oliveira, 39 anos) 

me_enquete_deusilene_lima__1_rs_.jpg“Ser mãe é algo maravilhoso e indescritível. Significa ser feliz. Às vezes sofremos muito com as atitudes erradas ou por certas posições adotadas por nossos filhos. Mesmo assim, se formos colocar as coisas boas e as ruins em uma balança, não há dúvida de que as felicidades são bem maiores que as tristezas. Isto é, não há nada tão especial quanto ser mãe.” (Deusilene Lima Alves, 23 anos)

me_enquete__maria_cassimiro__1_rs__.jpg“Minha vida se resume aos meus filhos. Depois que me tornei mãe passei a me preocupar exclusivamente com eles, que transformaram a minha vida. É gratificante saber que aquelas crianças saíram de dentro da gente. Não há nada tão incrível como saber que demos origem a outras vidas, que são pessoas maravilhosas e insubstituíveis para a nossa felicidade.” (Maria Cassimiro Linhares, 52 anos)

me_enquete_meire_da_silva__1_rs_.jpg“Mudei tudo em minha vida após ter filhos. Minha responsabilidade aumentou consideravelmente, assim como cresceu meu poder de compreensão das pessoas. Confesso que, depois de dar à luz meus filhos, não dormi mais sossegada. Porém, é algo de grande valia, mesmo com as preocupações. Como diz o poeta, ser mãe é padecer no paraíso.” (Meire da Silva, 37 anos)

me_enquete__maria_de_lourdes__1_rs_.jpg“Eu agradeço todos os dias muito, muito mesmo pela oportunidade que Deus me concedeu de ser mãe. Os melhores momento de minha vida aconteceram após a minha primeira gravidez. Os quatros filhos que tenho mudaram minha forma de ver o mundo. Não tenho nada que possa se comparar com a sensação de ser mãe, só posso dizer que é completamente satisfatório.” (Maria de Lourdes, 49 anos)   

 

 

Como é ser mãe de árbitro

Dona Maroca conta como se sente sendo uma das principais vítimas de torcedores nos campos de futebol

dia_das_mes_75_rs_.jpgMãe é coisa sagrada. Menos no campo de futebol. Dentro das quatro linhas, respeito é o que menos há com ela. As senhoras mães do trio de arbitragem, principalmente do juiz da partida, sofrem. Se elas pudessem, certamente não escolheriam os filhos seguissem essa profissão.

Até quem nunca foi ao estádio assistir a uma partida de futebol sabe qual é a principal homenagem que a torcida costuma fazer à mãe de um árbitro em um campo. Esse esporte tem uma série de vícios que se enraizaram e há quem diga que isso é cultura do torcedor brasileiro.

Homenagear a mãe do juiz é um - se não, o principal - deles. A mãe do futebol não tem filho honesto. Para o torcedor, todos são ladrões. Antes mesmo de começar o jogo, e, normalmente durante e depois da partida, a mãe é lembrada. Porém, esses xingamentos não ofendem  dona Maria Casas, mais conhecida como “Dona Maroca”. Mãe do juiz de futebol Roney Casas, ela garante que costuma levar as críticas direcionadas ao filho e a si “na esportiva”, desde que não sejam pessoais, ou seja, com a intenção de atingir a moral do cidadão.

Na época em que o filho comunicou dona Maroca a intenção de ser árbitro, ela respondeu prontamente em tom de brincadeira: “Me respeite, menino. Se for assim, vá logo ao supermercado comprar uma mãe para levá-la ao estádio”.
Dona Maria Casas comenta que não é muito fã de esporte e por isso nunca foi a um estádio de futebol. Mesmo assim, diz que não temeria ir a um campo pelo fato de o filho ser o árbitro da partida. 

Quanto aos xingamentos que lhe são direcionados, ela entende que se trata de uma reação normal do brasileiro, acrescentando que a culpa dada ao juiz de futebol (e consequentemente à mãe do indivíduo) acontece sempre quando os torcedores estão insatisfeitos com o rendimento de seus times.

Para ela, a mãe do árbitro de futebol não difere em nada da mãe dos demais profissionais. “Todo e qualquer profissional enfrenta dificuldades em sua vida. Como sou a ‘pãe’ (pai e mãe) do Roney, só posso desejar que ele siga sua carreira com êxito. E continue apitando seus jogos da mesma forma, isto é, com honestidade e competência”, salienta dona Maroca.

 

Situação inusitada

dia_das_mes_74_rs_.jpgComo os acreanos são tão apaixonados por futebol como os demais brasileiros, é fácil ouvir em vários lugares da cidade comentários sobre o esporte mais praticado no país. Tanto na escola como no supermercado, jogadores de futebol, goleiros e também os árbitros são assunto. Algumas vezes os atores desse esporte são reverenciados, amados e em outras oportunidades odiados pelos torcedores.

Mesmo não comparecendo aos estádios, dona Maroca já presenciou conversas de pessoas criticando o filho árbitro. “Certo dia, em frente à igreja e ao meu lado, comentaram que meu filho era muito boçal. Então respondi no mesmo momento que ele era mesmo, por isso era meu filho. As pessoas ficaram desconfiadas, mas depois perceberam que falei em tom de brincadeira. Se tivessem extrapolado de verdade, certamente teria sido uma situação complicada”, argumenta.

 

“Pãe”

Para Roney Casas, dona Maroca representa muito mais que uma mãe. Ela criou sozinha o árbitro e seus irmãos desde dezembro de 1972, quando seu companheiro a deixou viúva. “Como sempre digo, a dona Maroca é nossa ‘pãe’ (pai e mãe). Eu ainda estava em sua barriga quando meu pai faleceu e mesmo assim elas nos criou com muita dignidade. Por isso merece em troca todos os carinhos, mimos e muito amor de nós filhos”, salienta.

Ele aproveitou a oportunidade para desejar muitas felicidades a sua mãe, argumentando ainda que todos devem fazer uma análise no dia de hoje e passar a respeitar mais as mulheres que têm a oportunidade de gerar outra vida. “Toda mãe deve ser respeitada, não só hoje, mas todos os dias”, recomenda.   

 

O ato de ser Mãe

Roberta Silva *

Nesse mês comemoramos o dia das mães, das mulheres que geram seres, das mulheres que muitas vezes mesmo sem ter gerado seres são capazes de amá-los como se o tivessem gerado, das mulheres que amam antes de qualquer coisa, pois o amor materno é tão grande que chega a ser comparado com o amor divino que Deus tem pela gente.

Ser mulher é ser mãe e ser mãe é ser mulher. Porque a mulher, mesmo que não tenha um filho, sempre é mãe. Mãe de seus amores, de seus irmãos, de seus pais. Mãe da sociedade prezando pelo o lugar em que vive mãe da humanidade respeitando as pessoas ao seu redor. Não é a toa que a mulher é a mais engajada nas causas humanitárias, no bem que devemos fazer ao planeta e aos que vivem nele. Pois a mulher, por seu instinto natural materno, sabe da importância de garantir o futuro para as suas próximas gerações.

A figura da mãe é tão importante que a terra é chamada de mãe: Mãe Terra, que nos acolhe, nos permite habitar nela, nos ensina, nos é generosa. A figura da mãe é presente e constante dentro de nós, e independente do nosso sexo, sendo homens ou mulheres, sabemos o quanto esse amor nos toca.

Se pensarmos bem, o mundo não seria possível sem o papel da mãe. Quem iria cuidar da gente quando éramos tão pequenos e tão indefesos? Quem daria todo seu amor e carinho, abdicando de seu tempo, de si mesma, para garantir que cresceríamos fortes e saudáveis? Quem faria tudo isso mesmo sabendo que estava se dedicando a algo que não pertencia a ela, pois no final de tudo crescemos e pertencemos ao mundo, à vida.  Mas mesmo assim o amor e empenho em nos deixar preparados para essa longa jornada foi nos dado por nossas mães. Sem essa dedicação a humanidade simplesmente não existiria. Estamos hoje onde estamos graças as nossas mães, que nos criaram que nos educaram e que deram o que tinham de melhor para a gente. A humanidade dever ser eternamente grata as mães por isso...

E depois de tanto nos dar esse amor ainda consegue se estender, quando criamos família ele tem a capacidade de se ampliar e consegue chegar em dobro para nossos filhos, afinal, como dizem: avó é mãe em dobro! E também tem o famoso: em coração de mãe sempre cabe mais um! É verdade, pois a mãe consegue amar igual os maridos e esposas dos filhos, os amigos dos filhos, enfim, é de fato um amor que não acaba mais.

Nos dias conturbados de hoje o sacrifício é ainda maior! O trabalho, o estresse, o dinheiro, enfim, são muitos fatores que as mães têm que administrar junto com a criação dos filhos. Mas mãe é de fato aquela que tem capacidade de fazer tudo ao mesmo tempo e incrivelmente faz tudo maravilhosamente bem! Como pode? Só o amor divino para explicar mesmo. A mãe de hoje está mais cansada, com certeza mais estressada, mas o seu amor não se abalou e continua grande como sempre.

A homenagem do Grupo Ameron de Saúde a todas as mães do mundo, sejam as que geraram, sejam as que criaram, sejam as que se dedicaram a um grupo de pessoas para cuidar, Para nós isso não importa, porque ser mãe é antes de tudo se dedicar a alguém e AMAR.      

* Psicoterapeuta junguiana formada pela UFRJ e diretora-geral do Grupo Ameron de Saúde

 

 

Comentarios (1)add
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escrito por edilson gomes , Julho 05, 2009
pessoal,gostaria de parabenizar vcs pelo exelente trabalho que todos da equipe Pagina 20,desenvolve dentro do seu estado e dai para o mundo.

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